01 de novembro, 2026
“Os santos e as santas foram pessoas tão frágeis como cada um de nós”Na solenidade de Todos os Santos, o reitor do Santuário de Fátima indicou os santos Francisco e Jacinta Marto como exemplos próximos e possíveis de imitar.
“Os santos e as santas não foram pessoas perfeitas. Foram pessoas tão frágeis como cada um de nós”. A partir desta ideia, o reitor do Santuário de Fátima desconstruiu a associação entre santidade e perfeição, este domingo, na missa da solenidade de Todos os Santos, celebrada na Basílica da Santíssima Trindade. Na homilia que proferiu, o padre Carlos Cabecinhas lembrou que a consciência das próprias limitações não deve afastar os cristãos do desejo de santidade. “A santidade não está na perfeição. Os santos são pessoas frágeis que procuraram viver em comunhão com Deus seguindo a Cristo”, explicou, acrescentando que este caminho está ao alcance de todos. A partir do Evangelho das bem-aventuranças, proclamado nesta solenidade, o sacerdote aludiu ao retrato da vida e das atitudes de Jesus Cristo, a quem os cristãos são chamados a imitar. “Aprendei de mim”, citou, para identificar neste convite de Jesus a chave para compreender o caminho da santidade. A pobreza vivida na confiança em Deus, a humildade, a misericórdia, a atenção aos que sofrem, a procura da justiça, a construção da paz e a pureza de coração foram algumas das atitudes de Jesus elencadas pelo padre Carlos Cabecinhas. É através da vivência destes valores que cada pessoa pode tornar-se, também ela, testemunho de Cristo. “O convite a sermos santos, seguindo este caminho das bem-aventuranças proclamado de Jesus, destina-se, por isso, a cada um de nós, que não somos perfeitos”, sublinhou. “Não se trata de fazermos grandes atos, grandes gestos, grandes milagres. Não é nisso que consiste a santidade”, esclareceu.
Fátima como escola de santidadeNa homilia, o padre Carlos Cabecinhas salientou ainda o significado particular de celebrar Todos os Santos num lugar que é também “escola de santidade”. Explicou que toda a mensagem de Fátima tem como horizonte conduzir a uma vida de comunhão com Deus, no seguimento de Jesus Cristo e a exemplo de Maria. Neste caminho, os santos Francisco e Jacinta Marto constituem referências próximas e concretas. Nos dois pastorinhos, o reitor identificou não apenas um grande desejo de santidade, como também o esforço por viver as bem-aventuranças, procurando ser pobres, humildes, justos, misericordiosos, pacíficos e puros de coração, à imagem de Jesus. “A sua canonização significou o reconhecimento pela Igreja de que eles se tornaram, para nós, rosto de Jesus Cristo na vivência das bem-aventuranças”, afirmou.
As relíquias dos dois santos estiveram presentes na celebração, como sinal dessa proximidade e como recordação de que a santidade vivida pelas duas crianças “é algo que nós podemos imitar” e que “está ao alcance de cada um de nós”.
Áudio da homilia do padre Carlos Cabecinhas
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