22 de outubro, 2026
Padre Carlos Cabecinhas fala aos bispos polacos sobre a ligação entre a Polónia e FátimaNo dia da festa litúrgica de São João Paulo II, o reitor do Santuário de Fátima foi convidado a intervir na Conferência Episcopal Polaca.
O reitor do Santuário de Fátima, padre Carlos Cabecinhas, destacou esta manhã, perante os bispos polacos reunidos em sessão plenária em Zakopane, o crescimento do número de peregrinos oriundos daquele país e a importância da mensagem de Fátima para os que visitam a Cova da Iria. A presença crescente de peregrinos oriundos da Polónia levou o Santuário a incluir uma missa diária em língua polaca no seu programa oficial. Os peregrinos polacos são, nos últimos anos, o segundo grupo mais numeroso entre os estrangeiros, apenas ultrapassados pelos espanhóis. Em 2022, o Santuário recebeu 235 grupos polacos, num total de 9335 peregrinos. Em 2023, foram 373 grupos e 17 808 peregrinos; em 2024, 550 grupos e 24 224 peregrinos. No ano passado, os números fixaram-se nos 518 grupos e 23 007 peregrinos, mantendo-se a tendência de crescimento em 2026. O reitor do Santuário de Fátima admitiu que o aumento da afluência poderá estar relacionado, em parte, com as dificuldades de acesso à Terra Santa como destino de peregrinação, na sequência dos ataques de 7 de outubro de 2023 e da guerra que se seguiu. Considerou, no entanto, que a importância da mensagem de Fátima na Polónia e o trabalho de divulgação desenvolvido no país são fatores determinantes para compreender esta evolução. São João Paulo II e a devoção a Nossa Senhora de FátimaNeste 22 de outubro, dia em que a Igreja celebra a festa litúrgica de São João Paulo II, a intervenção do reitor do Santuário de Fátima na Polónia deu também ênfase à influência do Papa polaco na ligação entre Polónia e Fátima. João Paulo II visitou o Santuário por três vezes, em 1982, 1991 e 2000, e pediu por duas vezes que a imagem de Nossa Senhora de Fátima, venerada na Capelinha das Aparições, fosse levada a Roma. A primeira peregrinação, em maio de 1982, aconteceu um ano depois do atentado contra o Papa, na Praça de São Pedro. Ao chegar à Capelinha, João Paulo II revelou que o seu primeiro pensamento, depois de tomar consciência do que tinha acontecido, se dirigira ao Santuário, para agradecer a proteção da Virgem Maria.
O reitor recordou também a consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria, realizada por João Paulo II em Roma, a 25 de março de 1984, diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima, transportada expressamente da Cova da Iria para esse momento, em comunhão com os bispos de todo o mundo. A ligação do Papa a Fátima ficou ainda assinalada pela oferta da bala que o atingiu ao bispo de Leiria-Fátima, posteriormente engastada na coroa preciosa da imagem de Nossa Senhora. Na sua última visita, em maio de 2000, João Paulo II beatificou Francisco e Jacinta Marto, a quem designou por “duas candeias que Deus acendeu para alumiar a humanidade nas suas horas sombrias e inquietas”. Como recordou o padre Carlos Cabecinhas, os bispos portugueses afirmaram então que João Paulo II ficaria para sempre como o “Papa de Fátima”. Para o reitor, porém, a ligação dos peregrinos polacos ao Santuário não se esgota na influência do pontífice. O crescimento da peregrinação resulta também do trabalho de divulgação da mensagem, nomeadamente do apostolado desenvolvido pelos Padres da Sociedade do Apostolado Católico (Palotinos) e pelo Santuário Nacional de Nossa Senhora de Fátima, em Zakopane, erigido como ação de graças pela recuperação da saúde do Papa depois do atentado de 13 de maio de 1983. O padre Carlos Cabecinhas destacou ainda a crescente difusão, na Polónia, da devoção dos primeiros sábados, cujo pedido foi concretizado nas aparições de Nossa Senhora à irmã Lúcia, em Pontevedra. Uma mensagem atual para a Igreja e para o mundoNa reflexão sobre a atualidade da mensagem de Fátima, o padre Carlos Cabecinhas identificou três dimensões fundamentais: o lugar de Deus na vida humana, a oração pela paz e a importância do rosário. Num contexto de indiferença religiosa, em que a tendência é a de viver como se Deus não existisse, o reitor do Santuário de Fátima considerou urgente reafirmar o primado de Deus na vida dos crentes. A Mensagem de Fátima, afirmou, conduz a Deus através de uma experiência espiritual capaz de transformar a vida, como aconteceu com as três crianças de Aljustrel. A paz constitui outra dimensão central. Recordando que as aparições ocorreram durante a Primeira Guerra Mundial e que a Polónia viveu de forma particularmente dramática a Segunda Guerra Mundial, o reitor estabeleceu uma ligação com os conflitos atuais, evocando a expressão do Papa Francisco sobre uma “terceira guerra mundial em episódios”. O terceiro aspeto destacado foi a oração, em particular a recitação diária do rosário, pedida repetidamente por Nossa Senhora nas aparições. Numa sociedade marcada pela procura de resultados imediatos, o reitor considerou que a oração ensina a confiar e a esperar. A mensagem de Fátima permanece, assim, atual por conduzir ao essencial da fé cristã e por se traduzir não apenas na oração e na celebração, mas também no compromisso com os outros. Citando Bento XVI, o padre Carlos Cabecinhas recordou que Fátima é uma escola de fé e de esperança, mas também de caridade e de serviço aos irmãos, dimensão que considerou indispensável para viver com fidelidade a mensagem recebida. O reitor sublinhou ainda que os peregrinos encontram em Fátima um lugar de acolhimento e esperança, onde a confiança no Imaculado Coração de Maria se exprime em gestos como a oração do terço, a procissão das velas e a contemplação da imagem na Capelinha das Aparições. |