20 de junho, 2026

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Santuário foi ao Brasil e encontrou Fátima no Paraná

Um capelão do Santuário de Fátima e um investigador da Academia de Estudos viajaram ao sul do Brasil, entre o final de abril e o início de maio, para formar agentes pastorais e regressaram com a certeza de que Fátima é sempre maior do que se imagina.

 

O Santuário de Fátima viajou até à região sul do Brasil, entre os dias 25 de abril e 2 de maio, para participar em três jornadas marianas nas dioceses de Paranavaí, Campo Mourão e Cianorte.
Em representação do Santuário estiveram o padre Francisco Pereira, capelão, e Diogo de Jesus, da Academia de Estudos do Santuário de Fátima, que contaram à Voz da Fátima a experiência de uma Igreja acolhedora, viva e sedenta em aprofundar o conhecimento sobre Fátima e a sua mensagem.

 

Mais que uma visita, uma missão

O convite para esta jornada partiu do bispo de Paranavaí, D. Mário Spaki, com o principal objetivo de formar os agentes pastorais para o “mês missionário mariano”. A jornada mariana na diocese de Paranavaí, um dia depois da chegada ao Brasil, foi, por isso, o primeiro evento em que o padre Francisco Pereira e Diogo de Jesus participaram.

“A Igreja vive, ali, um dinamismo missionário vibrante; e uma das coisas que mais me impressionou foi o silêncio atento com que ouviram as nossas intervenções”, recorda o capelão do Santuário de Fátima, que, no encontro que juntou mais de 1100 agentes pastorais, falou sobre a mensagem de Fátima, na sua importância para a vida cristã, e deu a conhecer o exemplo de vida e de fidelidade a Deus e à Igreja da Venerável Irmã Lúcia de Jesus.

Diogo de Jesus falou sobre as aparições do ciclo cordimariano e sobre o modo de celebrar a devoção dos Primeiros Sábados, uma realidade desconhecida pela grande parte dos participantes.

“A maioria das pessoas julgava que Fátima se tinha resumido ao que se passou na Cova da Iria e vimos um misto de surpresa e interesse ao descobrirem o ciclo de Pontevedra e Tui”, partilha o investigador da Academia de Estudos.

“Senti-me um ponto minúsculo perante a imensidão daquela fé, mas percebi que para eles nós éramos um elo físico com o Santuário. Ver no olhar de cada um a sede de perceber mais e a paixão por Fátima, que os mantinha em silêncio durante horas, foi algo que me marcou profundamente”.

Em Paranavaí, os representantes do Santuário de Fátima ficaram hospedados na casa do bispo, numa proximidade que tornou possível uma experiência mais profunda junto daquela comunidade.

“Num momento em que se juntaram as bandeiras das paróquias e dos movimentos, à entrada da imagem de Nossa Senhora de Fátima, o próprio bispo segurou uma bandeira na mão e estava cheio de dinamismo a animar, num fervor de pastor entre as suas ovelhas”, descreve o padre Francisco Pereira, para retratar numa imagem a Igreja nova e missionária que ali sentiu.

A hospitalidade não veio apenas do bispo, mas de toda a comunidade, que via e expressava no acolhimento aos dois representantes do Santuário uma ligação possível a Fátima, conta Diogo de Jesus.

“Eram muitos os que pediam para tirar uma fotografia connosco. Eles viam em nós alguém que tem a oportunidade diária de estar em Fátima. Muitas pessoas incumbiram-me da missão de trazer até cá as preces e preocupações que tinham, fosse numa conversa ou por cartas, que nos iam entregando em mão. Ali, senti-me impelido da missão de recolher aqueles pedacinhos de estórias e de vir entregá-los aos pés de Nossa Senhora”. 

 

img5206.jpgProcissão com a Imagem de Nossa Senhora de Fátima por entre os participantes do 1.º Congresso Mariológico de Campo Mourão.

 

Uma âncora para a comunidade

Quem também participou nesta jornada foi Lucas Maeda, o jovem cuja recuperação, após um grave acidente na infância, a Igreja atribuiu a um milagre dos agora Santos Francisco e Jacinta Marto.

No primeiro encontro, em Paranavaí, foi o pai, João Batista, que partilhou o testemunho do milagre, mas, no segundo encontro, que aconteceu em Campo Mourão, no dia 1 de maio, Lucas falou na primeira pessoa, acompanhado por toda a família.

“É um jovem equilibrado e reservado, com um sorriso fantástico. Está agora a estudar medicina, tal como a irmã. É interessante perceber que a graça de Deus não fica estagnada e que, desta forma, se pode replicar em cada pessoa, cada doente com quem o Lucas vier a contactar e a cuidar, quando for médico. A família continua humilde, equilibrada e bem estruturada”, conta o padre Francisco Pereira, ao mostrar a foto que tiraram com Lucas Maeda.

Além de privar com o jovem miraculado, os representantes do Santuário de Fátima tiveram também oportunidade de visitar a terra natal de Lucas, onde tudo aconteceu, nomeadamente o local exato onde se deu o acidente, no prédio dos avós, agora assinalado com um marco.

A influência de Fátima nesta região agrícola é evidente e ultrapassa a devoção pessoal, moldando a própria identidade da comunidade. Além de o dia da festa litúrgica dos Pastorinhos, 20 de fevereiro, ser feriado municipal, está a agora a ser construída uma capela dedicada aos Santos Francisco e Jacinta Marto.

Também em frente ao hospital da Santa Casa, onde Lucas esteve internado, está já reservado um terreno onde a paróquia pretende edificar um centro de acolhimento para pais de crianças hospitalizadas e um serviço de enxovais para bebés de famílias carenciadas. O espaço, ainda descampado, está já assinalado com uma réplica em tamanho real do Arco das Aparições, sinalizando que Fátima é ali uma “âncora e uma alavanca” para a comunidade.

“Podemos não perceber mais nada do que está pensado para aquele terreno, mas sabemos que Fátima chegou àquele lugar significativo, mesmo em frente a um hospital”, conclui Diogo de Jesus.

 

55231934928.jpgPadre Francisco Pereira, Lucas Maeda e Diogo de Jesus, em Paranavaí

 

Fátima, além da Cova da Iria

A jornada pelo Brasil terminou na diocese de Umuarama, no Santuário Eucarístico Nossa Senhora de Fátima em Cianorte, em dois encontros que também contaram com a participação do padre Francisco Pereira e de Diogo de Jesus.

Quando ali estiveram, a paróquia celebrava as bodas de diamante e também ali a presença de Fátima é evidente e antiga.

“A imagem de Nossa Senhora de Fátima presente na igreja tem já 60 anos e é muito fiel à escultura feita originalmente por José Ferreira Thedim”, constata o padre Francisco Pereira.

Mais que uma viagem institucional, esta visita a terras de Vera Cruz foi uma oportunidade de difundir Fátima junto de comunidades sedentas por aprofundar o conhecimento sobre a mensagem que Nossa Senhora deixou nas aparições, concretamente o ciclo cordimariano, a devoção dos Primeiros Sábados e a própria história da Irmã Lúcia de Jesus, por muitos desconhecida.

No regresso a Fátima, além dos pedidos de preces e das memórias dos encontros, o padre Francisco Pereira e Diogo de Jesus trazem a certeza de que Fátima vive além da Cova da Iria e é sempre maior do que se imagina.

“Senti-me um ponto minúsculo, mas com algo atrás de mim que significava muito para aquelas pessoas. Elas nunca me tinham visto, nunca me tinham conhecido, mas em mim viam um pouco de Fátima”, sintetiza Diogo de Jesus

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