19 de julho, 2026
“Deus nunca se deixa vencer pelas nossas fraquezas”Esta manhã, no Santuário de Fátima, D. José Ornelas lembrou que Deus vai ao encontro dos mais frágeis e criticou as lógicas de exclusão presentes na sociedade.
Na homilia da missa deste domingo, celebrada no Recinto de Oração, o bispo de Leiria-Fátima, D. José Ornelas, centrou a sua reflexão na parábola do trigo e do joio, para defender que o Reino de Deus não é um espaço reservado a “pessoas e sociedades perfeitas”, mas antes um processo de misericórdia dirigido, em primeiro lugar, aos mais frágeis. Segundo D. José Ornelas, Jesus rompe com a ideia, comum entre os religiosos do seu tempo, de uma fé fechada sobre si mesma, feita de pessoas que se consideravam perfeitas e que excluíam e condenavam os outros. Pelo contrário, referiu o presidente da celebração, Jesus foi enviado “precisamente para ir, antes de mais, ao encontro dessas pessoas mais frágeis, aquelas que se encontram mais distantes”. Nesse sentido, sublinhou que Jesus não veio como juiz, mas como médico e cuidador, à imagem de um Pai “clemente e compassivo, cheio de ternura e de misericórdia”, que conviveu com pecadores e cruzou as fronteiras daquilo que é politicamente correto. “Deus nunca se deixa vencer pelas nossas fraquezas, mas sempre vem ao nosso encontro com uma proposta de caminhos de liberdade, de verdadeira felicidade para a construção de um mundo melhor”, defendeu.
D. José Ornelas dirigiu duras palavras a quem, na sociedade atual, procura “arrancar o joio” através da exclusão. Apontou a construção de muros, leis restritivas e campos de retenção, bem como a manipulação da verdade, como caminhos que conduzem à segregação, à miséria e à guerra. Criticou ainda operações de afastamento e repatriamento que, no seu entender, não servem a comunicação nem a justiça, mas antes o isolamento e a condenação dos mais vulneráveis. Para o bispo de Leiria-Fátima, a verdadeira transformação do mundo não passa pela força nem pela violência, mas pela conversão do coração e da mente. Trata-se de um processo lento, comparável ao crescimento do trigo ou à ação silenciosa do fermento na massa, que exige paciência, tempo e confiança. A celebração ficou marcada pela presença de cerca de 1500 mensageiros do Movimento da Mensagem de Fátima que, neste fim de semana, cumpriram a sua peregrinação anual ao Santuário.
D. José Ornelas mencionou a presença deste grupo de peregrinos e, nesse contexto, ligou o Evangelho do dia à mensagem de Fátima. Recordou que Nossa Senhora escolheu três crianças simples para semear, num contexto de guerra e pandemia, uma mensagem de paz e de transformação. Destacou a coragem dos Pastorinhos perante a incompreensão da família, da Igreja e das autoridades da época, e sublinhou o apelo de Maria à oração pelo fim dos conflitos e pelos “pobres pecadores”. Deixou, por fim, um agradecimento “a todos aqueles que vivem este mistério que se revela em Fátima, o mistério da vida, da misericórdia, da paz e da fraternidade. “Ao longo de mais de 100 anos, com paciência confiante e ativa, estão a semear a mensagem do Evangelho que brilha em Fátima, pela consolação e esperança que irradiam na Igreja e no mundo”, referiu. Apelou a que Maria seja o exemplo, a guia e a senhora da luz, da vida e da esperança.
A missa deste domingo foi concelebrada pelo bispo libanês D. Jules Boutros, patriarca de Antioquia dos Sírios, e pelo assistente nacional do Movimento da Mensagem de Fátima, padre Daniel Mendes. Marcaram ainda presença na celebração um grupo de Braga e outro de Santarém e três grupos provenientes do estrangeiro: um dos Estados Unidos, um de Itália e um terceiro com peregrinos provenientes de diferentes países.
Áudio da homilia de D. José Ornelas
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