13 de fevereiro, 2015

Para a Canonização dos Beatos falta apenas um milagre
Irmã Ângela Coelho em entrevista

No dia 20 de Fevereiro, celebra-se a Festa Litúrgica dos Pastorinhos de Fátima. Para assinalar esta data o Santuário de Fátima preparou um programa próprio.
As celebrações começam no dia 19 com a oração de Vésperas dos Beatos Francisco e Jacinta Marto, na Capela do Santíssimo Sacramento, pelas 17:30. Neste mesmo dia, às 21:30, na Capelinha das Aparições, haverá a Vigília dos Beatos Francisco e Jacinta Marto.
O dia 20 tem início às 10:00 na Capelinha das Aparições com a recitação do terço, seguido de procissão para a Basílica da Santíssima Trindade, onde será celebrada a Eucaristia, presidida por D. António Marto, bispo da Diocese de Leiria-Fátima, pelas 11:00.
A tarde será dedicada às crianças, tendo início às 14:00 com o acolhimento. Pelas 14:30, terão um momento de reflexão sob o tema “Encontro com os Pastorinhos” e terminará com a recitação do terço, pelas 15:00.
Neste mesmo dia, o Santuário de Fátima promove a realização de um concerto evocativo dos três videntes de Fátima, sob o tema “Sem amor nenhuns olhos são videntes”. Terá lugar na Sé Patriarcal de Lisboa, pelas 21:00. O ponto alto do concerto é a estreia Nacional da peça musical “Drei Hirtenkinder aus Fatima – Os Três Pastorinhos de Fátima”, da autoria de Arvo Pärt.
Para podermos compreender melhor e dar a conhecer esta Festa Litúrgica e a sua importância para nós, homens e mulheres de hoje, estivemos à conversa com a irmã Ângela Coelho, postuladora da causa de Canonização de Francisco e Jacinta Marto.
Agradecemos à Irmã Ângela a disponibilidade com que nos acolheu e por nos ter ajudado a perceber melhor a mensagem envolvente destas aparições, que não é apenas um pedido para rezar mais, mas um pedido para “dispor-se a oferecer a sua vida pelos que se afastaram do amor de Deus. No fundo, é aceitar participar da missão redentora de Jesus, de congregar tudo e todos na casa de Deus”, nas palavras da Ir. Ângela.
Entrevista por Sandra Dantas, Centro de Comunicação do Santuário de Fátima.
Porquê o dia 20 de fevereiro para celebrar a Festa Litúrgica dos Pastorinhos?
Irmã Ângela Coelho - A escolha do dia 20 de fevereiro para a celebração litúrgica dos Beatos Francisco e Jacinta prende-se com o facto de nesse dia se recordar a morte da Jacinta, a última dos dois irmãos a falecer. As festas litúrgicas dos santos recaem muito frequentemente no dia da sua morte que, na comunidade eclesial, é tido como o dies natalis, o dia do nascimento para a vida eterna. No caso do Francisco e da Jacinta, optou-se por evocar a sua memória na data da mais nova dos dois videntes de Fátima.
Qual o sentido desta Festa para a Igreja e para o Mundo?
Irmã Ângela Coelho - Celebrar a santidade de um servo de Deus é celebrar, primeiro, a santidade de Deus, o todo Santo que santifica cada mulher e cada homem dispostos a acolher o dom da sua graça. No caso concreto da celebração litúrgica do Francisco e da Jacinta, damos graças a Deus pela forma muito particular como viveram a sua vocação à santidade. Olhando hoje a vida destas duas crianças conseguimos intuir que viveram os apelos com que Nossa Senhora os desafiou, de tal forma que olhá-los é olhar uma concretização da mensagem de Fátima.
A festa dos Beatos Francisco e Jacinta há de ser também estímulo para a nossa própria vocação à santidade, para a nossa disponibilidade para acolher com confiança a vontade de Deus e os seus desígnios de misericórdia. Ao mesmo tempo, é estímulo à oração e à confiança na intercessão destes dois amigos de Deus, através de quem confiamos as nossas alegrias e dores a Deus.
A mensagem que os Pastorinhos escutaram de Nossa Senhora e transmitiram ao mundo não está circunscrita num determinado tempo histórico?
Irmã Ângela Coelho - Os pastorinhos acolheram a mensagem de Nossa Senhora num contexto histórico particular e importa não perder este contexto de vista, na medida em que ele é o destinatário primeiro da mensagem de Fátima e a sua compreensão facilita-nos chaves de leitura para a mensagem. Tem já sido frequentemente sublinhado que Fátima, no conjunto das aparições marianas, é aquela que apresenta uma das mensagens mais proféticas e políticas. De facto, percorrer as Memórias da Irmã Lúcia é descobrir também o olhar de esperança que Deus lança sobre o século que passou: um olhar realista sobre o drama do sofrimento e do pecado, mas um olhar pleno de esperança e de misericórdia.
Isto não significa, no entanto, que esta mensagem não tenha já lugar no nosso tempo. Se Fátima não faz outra coisa que sublinhar a boa nova do Evangelho – e podemos reconhecer os muitos traços evangélicos da mensagem de Fátima: a oração, a conversão, a vivência teologal, a adoração e conformação da vida com Deus... – é, então, de esperar que a sua mensagem seja de sempre e para sempre. Ninguém ousaria desclassificar a atualidade da mensagem de Fátima quando aquilo que nela se sublinha é o apelo a encontrar-se no amor de Deus e a comprometer-se com ele.
Nas aparições, Nossa Senhora pede aos Pastorinhos que façam sacrifícios pelos pecadores. Este pedido ainda faz sentido no nosso tempo?
Irmã Ângela Coelho - Temos hoje receio da palavra «sacrifício», que nos incomoda e nos parece estranha. E, no entanto, o sacrifício é a dinâmica em que se dá a vida. Basta recordarmos o momento do nascimento de uma vida humana para compreendermos que o dom da vida implica o sacrifício pelo outro.
Sacrificar-se pelos pecadores não é outra coisa do que dispor-se a oferecer a sua vida pelos que se afastaram do amor de Deus. No fundo, é aceitar participar da missão redentora de Jesus, de congregar tudo e todos na casa de Deus.
Para além de ser a forma de assumir corajosamente a realidade da vida, o sacrifício pedido em Fátima é também um exercício com que os pastorinhos, primeiro, mas também cada um de nós, hoje, somos chamados a polir a nossa liberdade para a gratuidade e o dom de toda a nossa existência a Deus pelos irmãos.
Qual é o ponto da situação do Processo de Canonização da Irmã Lúcia? E do Francisco e da Jacinta?
Irmã Ângela Coelho - Os processos de beatificação e canonização são processos frequentemente morosos, que exigem um estudo aprofundado das vidas dos servos de Deus, e a confiança, por parte dos fiéis, na sua fama de santidade. Basta recordar que os processos de beatificação do Francisco e da Jacinta deram os seus primeiros passos em 1952 e foi apenas em 1989 que o seu decreto da heroicidade das virtudes foi assinado pelo Papa João Paulo II, abrindo caminho à beatificação que aconteceu no ano 2000, depois de comprovado um primeiro milagre alcançado pela sua intercessão.
O processo de beatificação da Lúcia encontra-se ainda na fase diocesana. Trata-se de um exigente estudo da vida da Lúcia, dos seus escritos, dos testemunhos que se recolheram, para que ela possa ser proposta como exemplo de fé cristã amadurecida. Continuamos a trabalhar neste processo.
Quanto ao processo de canonização dos Beatos Francisco e Jacinta, falta apenas que um milagre se dê através da sua intercessão. Entretanto, o nosso trabalho é o de difundir o seu exemplo de vida e de suscitar nas pessoas a confiança na amizade com Deus destas duas crianças de Fátima.
Será possível definir cada um dos Pastorinhos com apenas uma palavra?
Irmã Ângela Coelho - Embora breves, as vidas de Jacinta e de Francisco são de uma tal riqueza espiritual que qualquer definição breve das suas vidas será sempre demasiado redutora. Ainda assim, se quiséssemos encontrar a palavra que melhor define cada um dos Pastorinhos, arriscaria a dizer que a Jacinta se define pela «compaixão», o Francisco pela «contemplação» e a Lúcia pela «fidelidade».
 
Sandra Dantas
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