12 de setembro, 2026

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“Não tenhamos medo nem vergonha de viver, celebrar e testemunhar a beleza da nossa fé”

Na celebração da palavra deste dia 12 de setembro, D. José Imbamba, arcebispo de Saurimo e presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé, desafiou os peregrinos a escutar, confiar e servir, a partir do exemplo de Maria. 

 

“Não tenhamos medo de dizer sim ao amor, à vida, à missão, à solidariedade e à amizade social, não tenhamos medo nem vergonha de viver, celebrar e testemunhar a beleza da nossa fé”. O apelo foi deixado esta noite, em Fátima, por D. José Manuel Imbamba, arcebispo de Saurimo e presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé, na celebração da palavra da Peregrinação Internacional Aniversária de Setembro.

A partir do relato da Anunciação, proclamado neste dia em que a Igreja celebra a Memória do Santo Nome de Maria, o presidente da peregrinação apresentou a Mãe do Amor Formoso como modelo de uma vida inteiramente disponível para Deus. O seu “sim”, afirmou, “não foi um consentimento momentâneo, mas uma adesão para toda a vida, mantida firme desde a manjedoura de Belém até ao pé da Cruz”.

A partir do exemplo de Maria, D. José Imbamba lembrou três atitudes a que o Evangelho faz alusão e que “somos chamados a imitar”: escutar, confiar e servir. Escutar a Palavra de Deus, colocando-a no centro da vida; confiar, vencendo medos e incertezas, porque “a Deus nada é impossível”; e servir, traduzindo a fé em gestos concretos de amor, sobretudo para com “os mais frágeis, os abandonados e esquecidos”.

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Na Cova da Iria, o arcebispo de Saurimo identificou ainda os graves problemas globais do tempo presente, entre eles “a indiferença e a secura espiritual, o relativismo ético, a falta de compromisso com a fé, a desestruturação das famílias e as implicações sociais e éticas da inteligência artificial”. A estes juntou a ausência de paz, visível nas guerras, nas divisões sociais e também na solidão e aridez dos corações.

Perante esta realidade, D. José Imbamba referiu a oração e o silêncio interior como caminhos necessários e urgentes. “Num mundo ruidoso e desorientado, a liturgia convida-nos ao silêncio de Nazaré”, afirmou, lembrando que a paz começa “no coração que acolhe a graça e se reconcilia com Deus”.

A celebração desta noite, com a presença de cerca de 70 mil peregrinos no Recinto de Oração, foi também ocasião para recordar a vinda dos diferentes sumos pontífices à Cova da Iria. Trazendo à memória Paulo VI, João Paulo II, Bento XVI e Francisco, o presidente da peregrinação destacou a continuidade dos apelos à paz, à esperança e à confiança em Maria.

D. José Imbamba terminou a homilia retomando a palavra do Anjo na Anunciação ─ “não temas” ─ e a resposta de Maria ─ “faça-se em mim segundo a tua palavra”, para deixar o apelo: “saibamos acolher a nossa vocação diária e responder com a mesma generosidade da Virgem Maria”.

Nesta Peregrinação Internacional Aniversária de Setembro registaram-se, nos serviços do Santuário de Fátima, 95 grupos de peregrinos, provenientes de 26 países dos cinco continentes. Polónia, Itália, Espanha e Estados Unidos foram os países com mais peregrinos inscritos, sem contar com os grupos portugueses. Concelebraram um cardeal (D. António Marto), quatro bispos (D. José Ornelas, bispo de Leiria-Fátima, D. Jorge Bejarano, bispo de Granada, Colômbia, e D. Giancarlo Petrini, bispo emérito de Camaçari, Brasil, além do presidente da peregrinação), 85 sacerdotes e dois diáconos.

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