07 de maio, 2026

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Ecce Homo: a imagem da dor física que convoca à dor espiritual

Na primeira visita temática da exposição temporária “Refúgio e Caminho”, o historiador Fernando António Baptista Pereira destacou a singularidade da pintura portuguesa Ecce Homo, no contexto europeu.

 

Encontram-se em três museus diferentes e durante muito tempo foram incorretamente interpretadas, datadas e catalogadas. Segundo Fernando António Baptista Pereira, museólogo, historiador da arte e professor jubilado da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, as três versões portuguesas do Ecce Homo são das criações mais singulares de toda a pintura europeia do século XVI. 

“A imagem da variante portuguesa concentra de forma icónica os valores psicológicos de fortaleza heroica do Salvador, verdadeiro homem e verdadeiro Deus, mas com a divindade escondida, revelada apenas pela auréola”, afirmou o historiador, na primeira visita temática à exposição temporária “Refúgio e Caminho”, na passada quarta-feira, 6 de maio.

A sessão teve como tema “Ecce Homo: o mistério da coroação de espinhos na pintura do século XVI”. A obra do Museu Nacional de Arte Antiga, classificada como Tesouro Nacional, integra o núcleo museológico da exposição temporária do Museu do Santuário de Fátima e foi o ponto de partida do ciclo de visitas temáticas. 

Baptista Pereira começou por esclarecer um equívoco que, no seu entender, persiste. O Ecce Homo não é o mesmo que o Vir Dolorum, o Cristo das Dores, nem o Cristo sentado no Monte Calvário. No Ecce Homo, Cristo está vivo, acabou de ser flagelado, e Pilatos apresenta-o à multidão: “Eis o homem”. Para o historiador trata-se de uma imagem de devoção e não de uma narrativa. “As dores físicas de Cristo destinavam-se a suscitar a dor moral e espiritual do espetador. Talvez essas sejam, às vezes, mais difíceis de suportar”, sublinhou.

O maior elogio ao Ecce Homo português veio de Erwin Panofsky, considerado um dos maiores historiadores da arte do século XX, que pôs em evidência precisamente o que o torna único na Europa: a mortalha branca que cobre a fronte e os olhos de Cristo. Em Espanha, em Itália, nos Países Baixos, existem versões com lençóis brancos, mas com os olhos à vista. Em Portugal, estão cobertos, e o efeito, segundo o especialista, é ainda mais perturbador: o espetador não pode cruzar o olhar com Cristo e a obra força-o a uma reflexão sobre os seus próprios pecados.

As visitas temáticas acontecem, entre maio e outubro, na primeira quarta-feira de cada mês, entre as 21h15 e as 22h30. A próxima realiza-se a 3 de junho, com o fotojornalista João Porfírio, que abordará o tema “Fotografar os dramas da guerra”. A entrada é livre.

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