15 de junho, 2026
“Ainda pensei se a vida religiosa seria para mim”Marta Temido é a convidada do terceiro episódio do podcast "Política em Estado de Graça", que mensalmente convida políticos a refletir sobre a forma como se relacionam os mundos da política e da religião.
A ex-ministra da saúde e atual deputada do Partido Socialista no Parlamento Europeu, Marta Temido, é a convidada do terceiro episódio do podcast do Santuário de Fátima "Política em Estado de Graça", disponível a partir de hoje no Spotify e no YouTube. Numa entrevista onde fala da importância que a religião teve na sua formação, Marta Temido assume-se uma mulher de fé, embora com dúvidas e questionamentos. “Quando teria os meus 13, 14 anos, ainda pensei se a vida religiosa seria para mim. Percebi que não tinha tudo o que era preciso. Mas pensei...”, assume a ex-ministra da saúde, numa conversa com a jornalista Vanessa Cruz na qual recorda um dos momentos mais disruptivos da nossa história recente: a pandemia de Covid-19. "Os corredores, as salas dos hospitais... são uma escola extraordinária de humanidade e de dificuldade e de superação. Estar à noite no hospital é talvez das coisas que nos interpelam mais a momentos de fé e de autointerrogação", assume a entrevistada. Nesta retrospetiva, a agora eurodeputada do Partido Socialista também se encontra com a fé. Perante as guerras que o mundo enfrenta, confessa uma certa “desesperança da paz”, considerando profundamente "desanimador e desolador" o facto de se ter deixado de perseguir a paz como um objetivo. No final, Marta Temido confessa, emocionada, que a ira e a impaciência foram os seus maiores pecados políticos e reconhece que a exigência que tem consigo mesma e com aqueles com quem trabalha deixa, por vezes, pouco espaço para a humanidade. “A voz interior é sempre uma espécie de confissão de alguma fragilidade, que é tão pouco valorizada no mundo em que vivemos e para a qual, quem tem que estar na vida política, normalmente sente que não tem tempo”, conclui a convidada.
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