13 de junho, 2026
“A pessoa humana não é só conhecimento e tecnologia”Bispo da Guarda lançou um repto ao mundo, a partir de Fátima, para que a humanidade centre a sua ação no coração e não apenas na Inteligência Artificial e na Razão.
Neste 13 de junho, que celebra o aniversário da aparição de Fátima na qual Nossa Senhora apresentou o seu Imaculado Coração como refúgio e o caminho para Deus, o bispo da Guarda defendeu a importância de cuidar e alimentar a vida espiritual para salvaguardar a liberdade e a humanidade, num mundo dominado pela tecnologia. "Quem descuida a vida espiritual pode deixar endurecer o coração. E quem perde a sensibilidade do coração, deixa apagar a luz que revela o sentido mais profundo da nossa vida”, afirmou D. José Pereira, alertando para os perigos presentes na sociedade. "Nas nossas sociedades que tendem a humanizar não só os animais, especialmente os de estimação com os quais estabelecemos relações de afeto, mas também os dispositivos e as máquinas, a partir da aplicação da Inteligência Artificial à comunicação digital, à biotecnologia e à robótica, podemos esquecer que só nós, seres humanos, temos coração, no sentido usado por Nossa Senhora: esse lugar onde o espírito encontra a luz de sentido dos acontecimentos e da vida”, concretizou o presidente da Peregrinação.
Para salvaguardar a humanidade nos tempos atuais, D. José Pereira propôs três ações práticas, centradas no coração. O primeiro aspeto destacado foi o valor de um coração capaz de valorizar o próximo, num tempo “em que a comunicação mediática e digital potenciam perceções sem adesão à realidade e acusações sem ter de se confrontar com o rosto e o toque do outro”. De seguida, o bispo da Guarda sublinhou a importância da memória para manter o coração vivo, para se poder discernir os acontecimentos sem "imediatismos reativos", mas com serenidade e sob o "fio condutor e a luz de sentido que Deus oferece". Como terceiro aspeto, o presidente da celebração exortou os peregrinos a partilhar com coração, transformando a vida interior em caridade ativa. "Diante das contradições e conflitos deste nosso tempo, seja ainda o Coração Imaculado de Maria a ensinar-nos o caminho do amor empenhado e diligente que faz de nós discípulos missionários, com coração, ao serviço da justificação que dá a vida”, pediu D. José Pereira. Inspirando-se no exemplo dos Santos Francisco e Jacinta Marto, o presidente da Peregrinação concluiu a homilia lançando um repto para o mundo. “É preciso lembrar o mundo, desde aqui, da Cova da Iria, que o homem tem coração e precisa de cuidar dele. A pessoa humana não é só conhecimento e tecnologia. Não se encontra nem se realiza apenas com razão e Inteligência Artificial. Precisa de alimentar a sua vida espiritual”.
Junho, mês do Sagrado Coração de JesusNa palavra aos doentes, o padre Daniel Mendes, assistente nacional do Movimento da Mensagem de Fátima, encorajou aqueles que estão privados da sua saúde a não cederem ao desânimo, apontando para o Coração de Maria como um refúgio seguro e um exemplo de confiança absoluta perante as provações mais sombrias da vida. “Deus, hoje, pode acender, no coração de cada um, uma luz maior: a certeza de que sois filhos amados e que a luz de Cristo ressuscitado continua a brilhar no meio da fragilidade humana; e Maria, a ‘Senhora mais brilhante que o sol’, com o seu cuidado maternal e intercessão, permanece ao vosso lado para vos iluminar e conduzir até Jesus”, garantiu o sacerdote. Na saudação final, neste mês de junho que a Igreja dedica ao Sagrado Coração de Jesus, o bispo de Leiria-Fátima começou por lembrar a centralidade do Coração de Jesus na mensagem de Fátima. "O nosso olhar dirige-se para o coração aberto do Salvador, de onde brota a expressão máxima do amor de Deus, fonte da vida e de fraternidade e de paz, desde sempre unido à espiritualidade e ao caminho de Fátima”, disse D. José Ornelas, exortando a uma "participação ativa na transformação da Igreja e do Mundo".
As zonas de guerra do Médio Oriente, da Ucrânia e do Sudão foram evocadas pelo bispo de Leiria-Fátima, que deixou um apelo à paz nestes e noutros lugares do mundo fustigados pela guerra, em particular a situação dramática que se vive em Moçambique. D. José Ornelas lamentou o recente assassinato de D. Osório Citora Afonso, bispo da Diocese de Quelimane, a quem chamou "mártir da paz". Ao dirigir-se aos peregrinos de língua espanhola, D. José Ornelas saudou a “Igreja irmã de Espanha” e referiu-se à visita que o Papa Leão XIV fez àquele país, em especial às Ilhas Canárias, onde o Sumo Pontífice contactou com “uma das grandes tragédias do nosso tempo: as migrações de milhões de pessoas que, desesperadas pela guerra e pela miséria, procuram justiça e segurança para as suas famílias”. "Que Maria, que foi migrante, refugiada e peregrina, acompanhe a missão da Igreja e dos povos, e nos abra os corações para orar e integrar aqueles que procuram as nossas praias e aeroportos para construir um futuro melhor para todos”, pediu. Além de D. José Ornelas, concelebraram o cardeal D. António Marto, bispo emérito de Leiria-Fátima, D. Augusto César, bispo emérito de Portalegre-Castelo Branco, um bispo estrangeiro e ainda 52 presbíteros e 4 diáconos.
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