10 de junho, 2021

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“Fátima é uma espécie de escola onde aprendemos o amor incondicional de Deus” e o Santuário “uma vanguarda da construção da paz”

O Cardeal José Tolentino Mendonça é o convidado do podcast #fatimanoseculoXXI deste mês de junho

 

O santuário começa onde? É a pergunta que se faz. D. José Tolentino Mendonça responde, sem dúvidas, que “começa no coração de cada um”. E onde começa Fátima? “Muito antes de Fátima e Fátima acaba muito depois de Fátima”, responde o cardeal da Cúria romana que presidiu à Peregrinação Internacional Aniversária de maio, que este ano retomou a presença de peregrinos, ainda que de forma muito restritiva.

“Quando o peregrino começa a vir para Fátima a sua vida já é um santuário porque a nossa vida é um lugar sagrado. Então, longe de Fátima já estamos dentro, cada vez mais dentro, e é importante que o Santuário tenha esta capacidade de expansão; não seja só este lugar, mas seja um lugar que ressoa,  ressoa chamando, convidando e ressoa dando um dom, uma palavra, uma experiência que depois o peregrino leva para a sua vida”, afirma.

“Esta é a sua grande função: levar cada um a reconhecer que a sua vida é sagrada e que, reconhecer isso muda o que somos, converte-nos e por isso faz-nos caminhar”, esclarece salientando a “consolação” que brota deste lugar: “aqui vimos beber à fonte, mas depois o gosto desta água nova, que aqui bebemos, ilumina-nos muito tempo, depois de nos termos despedido da placa topográfica que diz Fátima.”

“Nas peregrinações a pé descobrimos o valor do caminho que é um sacramental; um sinal de Deus” destaca ao sublinhar a disponibilidade dos sentidos de cada peregrino numa entrega “total e única” para amainar “ os desejos e as sedes” do coração.

“A grande peregrinação é sempre interior. Um peregrino caminha no espaço para aprender a caminhar dentro de si. E quando nós não podemos caminhar na geografia do mundo, temos de o fazer na nossa geografia interior e o coração humano é uma grande estrada” afirma. 

Nesta conversa, disponível em www.fatima.pt/podcast e nas plataformas Soundcloud, ITunes e Spotify, o cardeal poeta, uma das figuras da Igreja portuguesa mais prestigiada, reflete sobre a importância da mensagem de Fátima para a humanidade neste segundo século de Fátima.

“Nós vivemos hoje um momento raro da história; é um momento de transição epocal. Julgo que a pandemia nos empurrou para o futuro, colocando-nos já num momento diferente, num outro momento histórico. E em cada momento histórico nós precisamos de uma reconstrução espiritual, de uma redescoberta e isso desafia o papel de Fátima no futuro. Eu confio muito no papel de Fátima porque este potencial e força de esperança, que em Fátima se vive, vai ajudar-nos no reencontro connosco próprios e na compreensão mais profunda e mais espiritual daquelas que são as prioridades para o nosso tempo”, insiste ao nomear as grandes prioridades desta “humanidade ferida”.

“As prioridades têm a ver com a qualificação da vida humana. `Homens sede homens´...O grito que São Paulo VI e depois de outro modo, adotando-o como seu, do Papa João Paulo II, e que agora acompanha o testemunho do Papa Francisco , é que é preciso qualificar a  nossa humanidade, qualificando-a integralmente” alerta o Cardeal referindo a importância da dimensão espiritual.

“Nós hoje precisamos de uma conversão, viragem, mudança” enfatiza.

“Nós podemos olhar para a mensagem de Fátima e acharmos que é arcaica, antiga, desadequada, que já não é a mensagem própria do homem contemporâneo; contudo a mensagem de Fátima é atualíssima na sua proposta que se resume a três palavras: conversão, penitência e oração”.

D. José Tolentino fala da necessidade de uma “chave hermenêutica para decifrar o mundo”; da importância da adoção de um “estilo de vida simples e frugal” e da necessidade da oração como caminho de vida espiritual.

“Estes três endereços de grande simplicidade são fontes que devem ser redescobertas na contemporaneidade”, salienta.

“Fátima tem um lugar muito especial e em Fátima percebemos como Maria tem uma espécie de magistério da consolação, que é típico das mães e muito especial na mãe de Jesus, Mãe de Deus e dos homens, que é Maria”, um “porto de abrigo para tantas procuras e gritos sufocados e outros ditos,  tantas dores abertas e recalcadas, tantas lágrimas entregues e passos dados de coração ou pelas estradas a caminho de Fátima e a experiência que os peregrinos têm é uma experiência de acolhimento”, cada um de sua vez.

Mas Maria é também a rainha do Mundo e da Paz, lembra.

“A mensagem de Fátima é uma mensagem universal; é-o  porque aqui se apresenta um Deus que vem falar de misericórdia, que se apresenta de coração nas mãos a falar ao ser humano”.

“Os santuários são lugares onde aprendemos o que significa uma cultura de paz, porque o nosso coração se transforma. As armas de guerra são transformadas em arados. Essa é a função do Santuário: uma pacificação do coração humano que depois tem um reflexo nas nossas sociedades. Por isso, o Santuário é uma vanguarda da construção da paz” destaca.

“O momento de viragem em cada percurso crente é quando cada pessoa se sente incondicionalmente amada; quando eu tomo consciência de que Deus me amou primeiro, que Deus toma a iniciativa de me amar em Jesus, antes de qualquer mérito ou boa ação” refere lembrando o exemplo dos pastorinhos que compreenderam esta amor de Deus pelos homens.

“Os Pastorinhos são místicos; os escritos da Irmã Lúcia são escritos místicos: nós precisamos dessa grande ciência que é a mística porque é a ciência do amor e da sua simplicidade. E, o amor é simples porque é possível, é uma competência: o amor aprende-se e Fátima é uma espécie de escola onde aprendemos esse amor. A imagem de Deus expressa em Fátima é deste Deus que ama incondicionalmente os seus filhos”.

O podcast#fatimanoseculoXXI está disponível em www.fatima.pt/podcast.

 

 

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