02 de agosto, 2026
“Jesus continua a fazer milagres, mas fá-los através de nós”Na Eucaristia celebrada esta manhã, o reitor do Santuário de Fátima refletiu sobre o significado da multiplicação dos pães e sublinhou que a compaixão de Jesus revela-se, hoje, na atenção que damos aos outros.
A multiplicação dos pães traduz a compaixão de Jesus e manifesta-se, hoje, através da partilha e da atenção que cada um revela para com os outros, afirmou o reitor do Santuário de Fátima, padre Carlos Cabecinhas, na homilia da missa celebrada, esta manhã, no Recinto de Oração. Partindo daquele episódio do Evangelho, o sacerdote destacou que o gesto de Jesus não procura causar admiração nem conquistar simpatias, mas nasce da capacidade de perceber o sofrimento, as preocupações e anseios dos outros e de fazer algo para aliviar. “Jesus não se limita a observar a multidão: cura os doentes, anuncia a Palavra e sacia a sua fome”, exemplificou. Esta atitude contrasta com a reação dos discípulos, que sugerem que a multidão seja dispensada para que cada um procure alimento por si. “Esta lógica do cada um por si, que compreendemos muito bem, é sempre muito sedutora, sobretudo quando nós temos o necessário para viver”, observou o padre Carlos Cabecinhas. “Mas, muitas vezes, não é senão um outro nome para dizer egoísmo, porque a compaixão é um outro modo de dizer amor”, acrescentou. “O milagre da multiplicação dos pães é-nos apresentado como um milagre que acontece sempre que, como Jesus, nos enchemos de compaixão e nos dispomos a partilhar, a ajudar”, clarificou. O padre Carlos Cabecinhas sublinhou, ainda, que sociedade atual aprecia milagres e que, não raras vezes, os cristãos esperam que Deus resolva de “forma extraordinária, imediata, fácil e indolor” todos os problemas. Esse não é, no entanto, o modo de agir de Deus. “Esquecemo-nos com demasiada frequência que Jesus continua a fazer milagres, mas fá-los através de nós”. Também hoje, acrescentou, Cristo continua a “multiplicar os pães e a saciar a fome”, através da partilha e da atenção que cada um dá às necessidades daqueles que tem ao seu redor.
Na homilia que proferiu, o reitor do Santuário de Fátima estabeleceu ainda ligação entre esta atitude e o testemunho dos Santos Pastorinhos, que manifestaram compaixão pelos pecadores e pelos mais pobres, chegando a partilhar com eles a própria merenda. Na missa desta manhã, no Recinto de Oração, inscreveram-se três grupos de peregrinos portugueses, entre os quais uma centena de elementos do Agrupamento de Escuteiros 1154 Lustosa, de Lousada. Nos serviços do Santuário, registaram-se ainda quatro grupos de peregrinos estrangeiros provenientes de Espanha, Itália, Irlanda e Sri Lanca.
Áudio da homilia do padre Carlos Cabecinhas
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