25 de agosto, 2026

intothelight5.jpg

Jovens trocam férias por silêncio e oração em Fátima

Iniciativa do Santuário de Fátima convidou jovens a fazer uma pausa, escutar as perguntas interiores e procurar a vontade de Deus.

 

O nome do programa é apelativo. Para quem agora se inicia na juventude, e sem mais esclarecimentos, “Into the Light” poderia convocar a banhos de sol na praia, à luz psicadélica das festas noturnas ou à claridade de um ecrã refletida no rosto, enquanto se navega numa qualquer rede social.

Mas “Into the Light” não aponta para nenhum des­ses cenários. Pelo contrá­rio, foi precisamente des­ses contextos que 10 jovens se afastaram para se lança­rem, no Santuário de Fáti­ma, à procura de uma outra luz. Uma luz que não vem do sol, dos holofotes ou dos ecrãs, mas de dentro e, sobretudo, de Deus.

“Into the Light” é uma proposta pastoral do Santuário de Fátima dirigida a jovens entre os 18 e os 25 anos que teve a sua primeira edição entre 5 e 9 de agosto. Durante cinco dias, um grupo de jovens foi desafiado a fazer uma pausa na rotina e a viver uma experiência espiritual centrada na descoberta da própria vocação, na procura da vontade de Deus e nas perguntas que acompanham esta etapa da vida.

“Muitos jovens estão verdadeiramente ‘à procura’: sentem-se interpelados por esse estilo cristão de habitar o mundo e desejam crescer nesse compromisso pessoal e comunitário”, refere André Pereira, diretor do Departamento de Acolhimento e Pastoral.

Nessa busca, os mais novos nem sempre encontram espaços, referências ou ferramentas que os ajudem a aprofundar essa procura. “É para o que, ainda que modestamente, gostaríamos de contribuir”, acrescenta.

É neste contexto que surge a imagem da luz e o título “Into the Light”. “A luz é uma realidade-chave no horizonte simbólico cristão, que encontra expressão fortíssima em Fátima”, explica André Pereira. Deus é reconhecido pelos Pastorinhos como luz e Maria surge como aquela cujo coração está inteiramente habitado por essa luz.

intothelight11.jpg

O “Into the Light” foi pensado como um itinerário e não como uma simples sucessão de atividades. Cada momento procura preparar o seguinte, num percurso progressivo que introduz os jovens na espiritualidade de Fátima e os coloca diante de

diferentes histórias de vocação e de resposta ao chamamento de Deus.

A intenção não é oferecer respostas feitas. O discernimento da vontade de Deus é apresentado como um processo, marcado por uma dinâmica de chamamento e resposta, num diálogo em que Deus e cada pessoa se encontram. Maria e os Pastorinhos

transmitem isso mesmo: “o caminho não se faz sempre e só de certezas, antes habitado por interrogações e aspetos não inteira nem imediatamente compreendidos”, recorda André Pereira.

No final, o desafio é que cada jovem possa reconhecer melhor a luz de Deus na própria vida e, como os Pastorinhos, “tornar-se também luz para os outros, ser, como eles, candeia num mundo que continua a precisar de luz, da luz de Cristo, transparecida no Coração de Maria”, sublinha o diretor do Departamento de Acolhimento e Pastoral.

 

 

bruna-santos3.jpgBruna Santos 

Quando chegou ao Santuário, Bruna trazia uma inquietação. Sentia que a vida estava a acontecer depressa demais. Estudante de Comunicação Social, prestes a iniciar o segundo ano da licenciatura, percebeu que já quase não conseguia parar. “Sentia que andava muito acelerada e que não tinha tempo para ouvir as coisas à minha volta”, confessou.

Foi essa necessidade de silêncio que a trouxe a Fátima, lugar que conhece desde criança e onde sente uma particular proximidade com Jesus. Trazia também uma dúvida: como distinguir entre os seus próprios projetos e os planos que Deus tem para si?

Durante o encontro, reconheceu não ter ainda encontrado as respostas que procurava, mas sentia estar a descobrir algo talvez mais importante. “Não encontrei as respostas, mas encontrei ferramentas que me ajudam a pensar nas perguntas que tenho. Acho que esse é o caminho para chegar às respostas”.

Entre os momentos do programa que, até então, mais a tinham marcado elegeu a conversa na Casa das Candeias com a irmã Sofia, religiosa da Aliança de Santa Maria. A naturalidade com que ouviu falar da vida consagrada ajudou-a a desfazer algumas ideias feitas e a descobrir uma realidade mais próxima da sua própria experiência.

“Percebi que as irmãs também são pessoas que procuram respostas, que têm dúvidas e incertezas como nós”, comentou.

A experiência permitiu-lhe ainda descobrir um Santuário diferente daquele que julgava conhecer. Apesar de visitar Fátima quase todos os anos, encontrou novas histórias, novos espaços e novas formas de olhar para um lugar que lhe era familiar. “Achava que já conhecia tudo, mas afinal ainda havia muito para descobrir”, concluiu.

Mesmo com perguntas em aberto, Bruna regressará a casa com a certeza de que parar também faz parte do caminho e que, antes de encontrar respostas, é preciso aprender a fazer as perguntas certas.

 

matilde-goncalves2.jpgMatilde Gonçalves

Procurava uma mudança de ritmo. Depois de um ano de universidade e de uma rotina dividida entre estudos, atividades pastorais e amigos, Matilde Gonçalves sentiu que precisava de sair da sua zona de conforto e experimentar algo diferente, como contou. Foi assim que decidiu inscrever-se no “Into the Light”, abdicando até de alguns dias de férias com o pai, que tinha vindo a Portugal.

Estudante de Matemática na Universidade de Coimbra e acólita há vários anos, trouxe para Fátima uma pergunta muito concreta: a vocação. “Queria fazer uma pausa para perceber o que procuro ou o que ainda me falta”. Entre a vida consagrada e o matrimónio, procura espaço para escutar melhor.

Um dos momentos do programa que mais a marcou foi o testemunho da irmã Sofia, na visita à Casa das Candeias. A sua história de conversão levou Matilde a pensar na relação entre os seus próprios desejos e os planos de Deus. “Quando nós queremos e Ele quer, nós fazemos algo bonito”, resume, assumindo ter ficado impressionada também pela felicidade que a irmã transmitiu.

O encontro permitiu-lhe igualmente redescobrir Fátima. Embora já tivesse vindo, por diversas vezes, com a família, com os acólitos e com grupos de jovens, percebeu que ainda havia muito para conhecer. Gostou particularmente da exposição temporária e das atividades que a ajudaram a compreender melhor a história dos Pastorinhos.

Com esta experiência, também passou a olhar de outra forma para os peregrinos que chegam ao Santuário. “É preciso observar e realmente olhar para os outros e perceber que eles também estão aqui com as suas dores, a pedir a intercessão de Nossa Senhora”.

No regresso a casa, diz que vai levar consigo “paz, muita paz e tranquilidade”. Leva ainda a certeza de que Fátima pode ser, também para ela, “um refúgio e um caminho”.

 

maria-ines2.jpgMaria Inês 

Chegou ao “Into the Light” sem saber bem o que esperar da iniciativa. Aos 18 anos, Maria Inês aceitou o convite de uma amiga para viver uma experiência diferente e mais próxima de Fátima. Para estar no encontro, pôs de parte dias de praia e algum tempo com a família, incluindo os primos que vieram do Canadá passar férias em Portugal.

Queria também aproveitar estes dias para se desligar um pouco do mundo habitual, sobretudo das redes sociais. A meio do programa, reconheceu que a experiência estava a ser diferente do que imaginava. “Tinha um bocadinho de receio que fosse mais rígido”, mas registou com agrado a abertura para experimentarem atividades diferentes e conhecerem-se uns aos outros.

Entre os momentos que mais a marcaram está a passagem pela Casa das Candeias e o testemunho da irmã Sofia. A sua história levou Maria Inês a perceber algo que até então não lhe tinha ocorrido. “Não precisamos todos de começar logo a estar na vida cristã para fazer parte dela” foi uma das descobertas que mais a tocou.

Também Fátima ganhou novos significados para a jovem. Apesar de já ter vindo várias vezes à Cova da Iria, descobriu detalhes que desconhecia e passou a olhar de outra forma para a história das aparições e para o próprio Santuário. O contacto com a história por detrás dos vitrais da Basílica de Nossa Senhora do Rosário e a exposição temporária — em particular o núcleo no qual se revela o esforço de Lúcia para que a imagem de Nossa Senhora fosse fiel ao que viu — conferiu-lhe uma nova opinião sobre o lugar.

No regresso a casa, diz levar consigo novas perspetivas, na medida em que ouvir as histórias dos outros também a ajuda a compreender as próprias perguntas. “Encontramo-nos a nós mesmos, se realmente prestarmos atenção”, concluiu.

 

daniel-asseiceiro2.jpgDaniel Asseiceiro 

Com 18 anos, o 12.º ano concluído e planos para seguir o curso de Direito, Daniel chegou ao “Into the Light” com uma pergunta concreta: qual é a vontade de Deus para a sua vida? Entre o início de uma nova etapa e o ócio das férias, que assumiu querer combater, viu no encontro uma oportunidade para se aproximar mais de Deus e discernir a sua vocação.

“Queria unir a minha vontade à vontade de Deus”, explica. Em casa, a oração nem sempre é fácil no meio das muitas solicitações do dia a dia. Em Fátima, esperava encontrar precisamente esse espaço para parar.

A meio do programa, o balanço superava as expetativas. “Vim um bocadinho às cegas, à espera que o Senhor me falasse e tenho visto que o Senhor tem grandes coisas preparadas para mim a nível de perdoar e de amar”, contou.

Sente que Deus tem estado presente através das experiências destes dias, nomeadamente na exposição sobre o Imaculado Coração de Maria e no testemunho da irmã Sofia, cuja história de conversão o sensibilizou. Levou-o até a colocar uma possibilidade: “Quem sabe se o Senhor também não me está a chamar para uma vocação dentro da Igreja?”, questionou.

No programa, o silêncio e a reflexão mais profunda ainda estavam por acontecer, num dia reservado para esse fim. Contudo, Daniel já sabia que, de Fátima, levaria uma certeza: “tenho de rezar e continuar a rezar com amor para que os desígnios de Deus se cumpram na minha vida”. E, mesmo que não encontre já as respostas que procura, sabe que pode confiar.

“É aceitar a vontade de Deus e nunca duvidar do amor dele”, algo que, admite, nem sempre é fácil quando se tem 18 anos.

 

Pastoral dos Jovens aproxima Fátima das novas gerações

intothelight3.jpg

A equipa da Pastoral dos Jovens: Rute Santos, André Pereira e Cristiana Lopes

 

Em Fátima, a mensagem também se faz caminho para as gerações mais novas. A Pastoral dos Jovens do Santuário procura apresentar o acontecimento e a mensagem de Fátima numa linguagem e num estilo próximos destas faixas etárias, explica André Pereira, diretor do Departamento de Acolhimento e Pastoral.

O desafio é ajudá-los a descobrir que, ainda hoje, Fátima pode ser um caminho para acolher, viver e anunciar o evangelho de Jesus Cristo. Um caminho feito ao jeito maternal de Maria e iluminado pelo testemunho dos Pastorinhos, com o seu exemplo concreto de resposta à fé.

Esta missão concretiza-se em propostas dirigidas tanto a jovens individualmente como a grupos. “A mais estável é a da visita acompanhada ao Santuário, com programa próprio, mas sempre adaptável ao grupo e passível de se concretizar em algumas modalidades diversas”, explica André Pereira.

A experiência pode assumir diferentes formas: desde uma visita aos principais espaços do Santuário até percursos construídos, por exemplo, a partir de uma leitura espiritual dos vitrais da Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima.

Mais do que conhecer lugares e informação histórica, a equipa da Pastoral dos Jovens, composta por André Pereira, Rute Santos e Cristiana Lopes, trabalha para proporcionar uma experiência. Por isso, os percursos podem integrar momentos de oração, celebração e formação e, por essa via, ajudar os jovens a estabelecer uma relação entre aquilo que encontram em Fátima e a sua própria vida.

É precisamente esta preocupação que distingue as propostas especificamente dirigidas aos jovens. Não se trata apenas de adaptar conteúdos pensados para outros públicos, mas de assumir uma linguagem, um estilo e uma abordagem próprios, capazes de dialogar com as suas perguntas, experiências e formas de olhar o mundo.

A par das propostas mais regulares, a Pastoral dos Jovens desenvolve iniciativas desenhadas para objetivos ou temas concretos. São experiências com caraterísticas próprias, desde o programa e os conteúdos aos intervenientes e à tipologia das atividades.

Em todas elas, permanece a mesma intenção: que Fátima não seja apenas um lugar que os jovens visitam, mas um lugar onde possam fazer uma experiência de fé e encontrar referências para o caminho que estão a construir.

PDF

DESTAQUES

HORÁRIOS

25 ago 2026

Missa, na Capela da Morte de Jesus

  • 16h30
Missa

Rosário, na Capelinha das Aparições

  • 18h30
Terço
Este site usa cookies para melhorar a sua experiência. Ao continuar a navegar estará a aceitar a sua utilização. O seu navegador de Internet está desatualizado. Para otimizar a sua experiência, por favor, atualize o navegador.