27 de setembro, 2020

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“O perigo do divórcio entre a fé que professamos e a vida que levamos é velho e precisa de uma vigilância permanente”, afirma o padre Joaquim Ganhão

Capelão do Santuário de Fátima presidiu à missa dominical no recinto de Oração, que lembrou os refugiados e os migrantes em todo o mundo “para que possam ser atendidos pela oração e ajuda solidária”

 

O capelão e diretor do Departamento de Liturgia do Santuário de Fátima afirmou, esta manhã, na homilia da missa dominical a que presidiu no Recinto de Oração que o convite de Deus à construção de um mundo novo pressupõe uma “conversão" e "compromisso" permanentes.

“Somos chamados a uma conversão permanente, de modo que a nossa fé e a nossa vida possam coincidir sem hesitações ou distrações que nos impeçam de sermos capazes de discernir, em cada situação, a vontade de Deus” afirmou o padre Joaquim Ganhão.

O sacerdote alertou para o “perigo do divórcio entre a fé que professamos e a vida que levamos” e que, sendo um perigo “velho” precisa “de uma vigilância permanente”, pois de " nada serve uma fé cheia de palavras mas sem vida".

“Os profetas sempre nos advertem para estes perigos: que sentido podem ter o culto, os sacrifícios... se permanecemos obstinados na injustiça, na corrução moral e social, na decadência e na imoralidade? A coragem de mudar de direção, dito de outro modo, a coragem da conversão, comporta essa inversão de marcha para respondermos ao Senhor e aos seus apelos com uma determinação convicta”, interpelou.

A partir da liturgia, o sacerdote lembra que a pergunta feita por Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo, no início do evangelho proclamado, "ressoa também hoje nesta nossa assembleia e espera acolhimento no coração de cada um de nós".

"Hoje, todos nós que escutámos este evangelho, não podemos deixar de responder a Jesus: na verdade, é de mim… é de cada um de nós que aqui se fala!", sublinhou.

"Viver na graça da fé que recebemos, exige que assumamos as nossas responsabilidades, sem nos evadirmos nas ilhas do pietismo ou de uma religiosidade que nos aliena e nos fecha a Deus e aos outros”.

A liturgia deste XXVI Domingo do Tempo Comum, afirmou ainda o padre Joaquim Ganhão, “vem desinstalar-nos desses esconderijos onde tantas vezes permanecemos anónimos e corremos o risco de viver uma vida adiada em palavras bonitas, desejos socialmente corretos e pensamentos mais ou menos piedosos”.

"Não tenhamos medo", exortou o padre Joaquim Ganhão.

“Caros peregrinos, a celebração deste domingo não se limita a apresentar-nos Cristo como um modelo de vida, mas introduz-nos no mistério da obediência filial de Cristo”, onde “aprendemos a disponibilidade de coração para dizer sim ao Senhor e trabalharmos generosamente na sua vinha: da família ao trabalho, da comunidade cristã à sociedade em que vivemos”, disse ainda.

Este domingo assinala-se, também,  o Dia Mundial do Migrante e Refugiado e em Fátima pediu-se “por todos os migrantes, refugiados, deslocados e vítimas do tráfico humano que vivem na pobreza e na marginalização, para que possam ser atendidos pela oração e ajuda solidária de muitos irmãos”.

 “Forçados como Jesus Cristo a fugir” é o tema da mensagem do Papa para a 106ª jornada do Migrente e Refugiado que lembra as pessoas deslocadas internamente e que foi assinada na festa litúrgica de Nossa Senhora de Fátima, no passado dia 13 de maio.

Francisco destaca que aqueles que fogem da sua terra sem abandonar o próprio país vivem, muitas vezes, um drama “invisível” que a crise mundial causada pela pandemia de Covid-19 “exacerbou”.

“Esta crise, devido à sua veemência, gravidade e extensão geográfica, redimensionou tantas outras emergências humanas que afligem milhões de pessoas, relegando para um plano secundário, nas agendas políticas nacionais, iniciativas e ajudas internacionais, essenciais e urgentes para salvar vidas”, denuncia.

À luz dos acontecimentos dramáticos que têm marcado o ano de 2020 quero, nesta Mensagem dedicada às pessoas deslocadas internamente, englobar todos aqueles que atravessaram e ainda vivem experiências de precariedade, abandono, marginalização e rejeição por causa da Covid-19’.

“A pandemia veio-nos recordar que estamos todos no mesmo barco. O facto de nos depararmos com preocupações e temores comuns demonstrou-nos mais uma vez que ninguém se salva sozinho”, pode ler-se.

Francisco destaca a importância de contar com o contributo de todos, para superar esta crise, pedindo “cooperação internacional, solidariedade global e compromisso local, sem deixar ninguém de fora”, também na defesa da natureza.

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