20 de junho, 2021

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Terceiro dia do Simpósio centrado na Santidade de Jacinta e no Coração Imaculado de Maria como caminho de santidade

Últimos oradores fazem leitura do mundo atual partir do exemplo de vida dos protagonistas do acontecimento e da mensagem de Fátima, que aponta para uma “santidade combativa”

 

O mundo precisa de recuperar a noção do pecado ,  diante da indiferença, inverter as prioridades de uma humanidade centrada exclusivamente no homem, disse esta manhã o padre Carmelo Pellegrino, promotor da fé na Congregação para as Causas dos Santos, na conferência que proferiu em Fátima, no Simpósio Teológico-Pastoral, que decorreu desde sexta-feira no Centro Pastoral de Paulo VI.

A partir de uma aturada reflexão sobre a vida de Jacinta, “que não nasceu santa nem foi santa por ter visto Nossa Senhora”, mas porque “converte o seu coração e deixa-se conduzir pela mão de Maria”, o teólogo propôs o exemplo de Jacinta como um caminho de santidade que deve motivar os cristãos do mundo de hoje, também atordoado por muitos problemas semelhantes aos que a pequena vidente viveu à sua época, "à oração, à conversão e à reparação".

“Jacinta era uma criança normal, com os seus defeitos- bastante caprichosa, como conta Lúcia-, mas depois das aparições mudou. Nos momentos difíceis mostra uma grande prudência; Jacinta deixou-se transfigurar pela experiência mariana e foi ela que até ajudou Lúcia a esclarecer algumas dúvidas. Ela é uma obra de Maria”, referiu.

“Para a Jacinta a reviravolta acontece depois da visão do inferno e da prisão de agosto e então florescem as virtudes heróicas: a oferta da vida e a audácia martirial. Nossa Senhora vem do Céu e oferece-lhe o Céu.  Ela não é santa por ter visto Nossa Senhora mas porque se deixa guiar por esta oferta, pela mão de Maria”, afirma. Por isso, "nos deve motivar".

“O inferno e o pecado estão sempre juntos; quando vê o inferno vê como é mau o pecado”, esclarece para deixar a analogia com os tempos de hoje.

“Nós estamos habituados ao mal; é precisa uma mudança da nossa vida” alerta o teólogo romano.

“Há gritos que a natureza clama por se sentir agredida;  esta crise que vivemos atualmente é uma resposta da natureza, a trompeta toca e...Deus perdoa sempre, o homem às vezes e a natureza nunca”, afirmou.

“Há alguns anos tivemos a SIDA, encontrada a cura, ignoramos as causas; hoje é a pandemia, a solidão; a depressão dos jovens porque os deixamos sozinhos. A família está doente e a trombeta volta a tocar”.

“Isto é Fátima” alerta ao desafiar os presentes: “como a Jacinta, não podemos habituar-nos  ao declínio, que tudo seja normal; que o pecado se torne banal e, como ela, temos de amadurecer o nosso coração de mártires, oferecendo o nosso sacrifício pela nossa conversão e pela conversão dos outros”.

“Hoje a pandemia põe à prova o Mundo, como há cem anos. A família Marto perdeu quatro filhos”, lembrou.

“Hoje o homem deseja pouco e mal; inclina-se para o que é mais pequeno que ele, precisa de um transplante de coração. Jacinta vive no Coração Imaculado, sabe o que desejar e deseja apenas o Céu...E quando lhe é anunciado que vai sofrer sente falta de companhia, sente a solidão mas depois diz que não se importa. Oferece o seu sofrimento em reparação” recorda o teólogo.

E, acrescenta: “Jacinta morre sozinha, sem os seus, sem Jesus, sem Eucaristia. Não há imagem melhor para caracterizar a morte de tantos doentes de covid: saíram de casa para o hospital, sozinhos, sem a presença dos seus”. 

“Ela é a grande profetiza do Coração Imaculado de Maria”, aquele que acolhe como refúgio mas também que indica o caminho.

“Ela foi uma criança genial,  uma lutadora, uma joana D´Arc da oração e da penitência. O medo não a aterrorizava, solicitava-a e, no sofrimento, que ofereceu em oblação e reparação pelos pecados do mundo, amadureceu a sua fé”, disse o teólogo.

“É diante da Cruz que nasce a fé; é no sofrimento que a fé amadurece. Quem sofre em Cristo ajuda a Igreja e é feliz” adiantou ainda ao afirmar que a obra de misericórdia mais apreciada por Deus é a identificação com o pecador.

“Jacinta faz sacrifícios- jejua pelos que comem muito; vai á missa pelos que não vão; esta é a história da Igreja: levarmos os pesos uns dos outros”. Por isso, concluiu: “a espiritualidade de Jacinta é oblativa e não vitimista, encontrando compreensão na morte, como oferta da vida”.

“Tecnicamente Jacinta não é mártir no seu percurso porque a sua oferta é espiritual mas ela é mestra deste estilo cristão que caracteriza os batizados”.

 

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Fátima “foi a grande mariofania no século XX”,  como Lourdes foi no século XIX e “poderá continuar a sê-lo se conseguirmos decifrar as sua mensagem através de um estudo aprofundado da presença de Maria em Fátima”, nomeadamente a partir do Coração Imaculado de Maria, disse, por seu lado, o padre Gonzalo Fernandéz Sanz, da congregação dos Missionários do Coração de Maria.

Numa intervenção sobre a importância do Coração Imaculado de Maria e através de uma imagem , representando toda a teologia do Pentecostes, o sacerdote lembrou que o maior obstáculo à santidade hoje é o gnosticismo e o pelagianismo, que faz uma avaliação do mundo e da vida a partir da medida do homem.

Por isso, a mensagem de Fátima, ao “acentuar o primado da graça e da alegria”,  na “luta contra o pecado que nos afasta de Deus, destrói a Igreja e dificulta a construção da paz”, pode uma vez mais, “iluminar as trevas que atravessam a humanidade, através do Coração Imaculado”.

“Fátima é uma alternativa mariana aos não lugares como aeroportos e centros comerciais; peregrinar aqui é estar em contraciclo; é fazer a experiência comunitária de fé; é entrar num coração atento e compassivo que responde diante das necessidades do mundo”, referiu.

“Num tempo em que a languidez produzida pela pandemia tornou-se no sentimento dominante das nossas famílias e comunidades, a espiritualidade de Fátima oferece uma alternativa: Maria aparece como a mulher do coração compassivo, a  mãe que nos educa para não cairmos na indiferença”.

“A mensagem de Fátima é muito incisiva: entre as periferias existenciais, a Virgem mostra-nos e ensina-nos o que é um coração compassivo que está atento aos problemas do mundo” disse o sacerdote castelhano, doutor em Teologia Dogmática.

Por isso, concluiu: “A santidade vista a partir de Fátima, e proposta na Mensagem, é uma santidade combativa, que luta contra o mal e que vai além da contemplação. Nas palavras de Maria- `Por fim o meu coração imaculado será o teu refúgio e caminho que te conduzirá a Deus´- a Virgem  disse aos pastorinhos que o amor é mais forte do que o mal, do que a morte e continua a dizer hoje, sobretudo num tempo em que a pandemia voltou a adensar as trevas sobre a vida, que o mal e o pecado não vencerão”.

“Fátima é um símbolo desta santidade onde  o coração de Maria se faz a tenda do encontro com a divindade; é um coração desproporcionadamente grande, capaz de pulsar o amor que precisamos para não falhar na missão”.

O simpósio Teológico-Pastoral foi transmitido em direto pelos meios digitais do Santuário de Fátima e nele participaram mais de 300 pessoas, entre as inscritas presencialmente e as que seguiram on-line.

 

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