04 de janeiro, 2026

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“Uma fé acomodada é uma fé morta”, sublinha o reitor do Santuário de Fátima

Na Solenidade da Epifania do Senhor, o padre Carlos Cabecinhas convidou os peregrinos a refletir sobre as três atitudes perante a revelação de Jesus ao mundo, a que o Evangelho faz alusão: a procura, a rejeição e a indiferença.

 

O reitor do Santuário de Fátima, padre Carlos Cabecinhas, destacou a importância de uma fé inquieta e comprometida, na celebração da Solenidade da Epifania do Senhor, este domingo, na Basílica da Santíssima Trindade.

Na reflexão que partilhou com os peregrinos, o reitor do Santuário de Fátima recordou que a Epifania é a revelação de Jesus a todos os povos, representados simbolicamente pelos magos vindos do Oriente, guiados por uma estrela. “Cristo é a luz que vem iluminar todos os homens e mulheres, a luz que vem iluminar a nossa vida”, afirmou.

A partir do Evangelho hoje proclamado, o padre Carlos Cabecinhas destacou as três atitudes adotadas perante a manifestação de Jesus Cristo, pondo um sublinhado na sua atualidade.

Identificou, em primeiro lugar, a atitude de procura e acolhimento da luz, simbolizada pelos magos vindos do Oriente. Guiados pela estrela, os magos colocam-se a caminho, procuram o Salvador e reconhecem no menino de Belém a luz que ilumina todos os povos. É “a atitude de quem rejeita viver nas trevas e quer que a luz de Cristo venha de facto iluminar-nos”, afirmou o sacerdote.

Em contraste, o Evangelho apresentou a atitude de rejeição, personificada em Herodes. Referiu o presidente da celebração que Herodes vê o nascimento de Jesus como uma ameaça ao seu poder e aos seus projetos, rejeitando a luz que Deus oferece. Esta atitude, alertou, manifesta-se também hoje sempre que “encaramos Deus como um concorrente, como um peso na nossa vida, como uma ameaça para os nossos projetos e planos”.

Entre estes dois extremos, o reitor do Santuário de Fátima pôs em evidência uma terceira atitude: a indiferença. Os sacerdotes, escribas e habitantes de Jerusalém conheciam as Escrituras e os sinais, mas não se dispuseram a ir ao encontro do Messias. “Não estiveram para se arreliar ou para se preocupar, permaneceram na sua vida indiferentes a tudo o resto”, referiu.

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“Estas atitudes descritas pelo Evangelho são um retrato fiel das nossas próprias atitudes”, afirmou o padre Carlos Cabecinhas, acrescentando que “facilmente caímos na indiferença dos habitantes de Jerusalém, deixando que a nossa fé se torne meramente rotineira, acomodada, adormecida”.

A partir destas três atitudes – procura, rejeição e indiferença – apelou a uma fé inquieta, como a dos magos, recordando que “uma fé acomodada é uma fé morta”. Ter fé, afirmou, implica procurar Cristo continuamente, reconhecer os sinais da presença de Deus nos acontecimentos do mundo e na nossa vida e recusar a indiferença diante o sofrimento dos que nos cercam.

Referindo-se ao início do ano de 2026, marcado por conflitos armados, crises sociais e pela situação difícil em vários países, como a Venezuela, o padre Carlos Cabecinhas reconheceu a existência de “sinais sombrios”, mas afirmou que Deus não está ausente. “A sua luz pode iluminar as nossas trevas”, disse, desafiando os fiéis a serem testemunhas de esperança num mundo ferido.

A terminar, o reitor do Santuário de Fátima apontou a figura de Maria como modelo e guia no caminho da fé, evocando o Papa São João Paulo II, que a Ela se referia como a estrela de Belém. “Maria, através do seu coração sem mancha, é caminho para ver a Deus, como proclama o tema do presente ano pastoral do Santuário, portanto, deixemo-nos guiar por ela”, concluiu, “não permitindo que a nossa fé adormeça ou se acomode”.

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As missas deste domingo ficam marcadas pelo rito de aspersão, no início da celebração, pela veneração do menino Jesus, no final, e pelo anúncio das festividades móveis. Na missa das 11h00, na Basílica da Santíssima Trindade, esse anúncio foi cantado pelo padre João Paulo Quelhas, capelão do Santuário de Fátima, e é aqui reproduzido:

“Irmãos caríssimos,
a glória do Senhor manifestou-se
e manifestar-se-á sempre no meio de nós,
até à sua vinda no fim dos tempos.
Nos ritmos e nas vicissitudes do tempo
recordamos e vivemos os mistérios da salvação.
O centro de todo o ano litúrgico,
é o Tríduo do Senhor crucificado, sepultado e ressuscitado,
que culminará no Domingo da Páscoa, este ano a 5 de abril
Em cada domingo, Páscoa semanal,
a santa Igreja Torna presente este grande acontecimento,
no qual Jesus Cristo venceu o pecado e a morte.
Da Páscoa derivam todos os dias santos:
as Cinzas, início da Quaresma, a 18 de fevereiro;
a Ascensão do Senhor, a 17 de maio;
o Pentecostes, a 24 de maio;
o primeiro Domingo do Advento, a 29 de novembro.
Também nas festas da Santa Mãe de Deus,
dos Apóstolos, dos Santos
e na Comemoração dos Fiéis Defuntos,
a Igreja peregrina sobre a terra
proclama a Páscoa do Senhor.
A Cristo, que era, que é e que há de vir,
Senhor do tempo e da história,
louvor e glória pelos séculos dos séculos”.

 

Áudio da homilia do padre Carlos Cabecinhas

 

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