06 de junho, 2021

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“A Igreja deve ser um local onde todos possam ser acolhidos, sem julgamentos”, afirma o padre Ricardo Freire

Sacerdote dehoniano inaugura ciclo de conferências dos `Encontros na Basílica´, que tiveram de ser reagendados por causa da pandemia

 

O padre Ricardo Freire desafiou esta tarde os peregrinos de Fátima, participantes no primeiro dos cinco Encontros na Basílica previstos para este ano pastoral, a seguir o exemplo de Jesus na proximidade, na compaixão e na misericórdia.

Este momento formativo intitulado “Jovem eu te digo, levanta-te: o Deus que levanta os fracos e dá a vida”, decorreu na Basílica de Nossa Senhora do Rosário e teve como ponto de partida o cortejo fúnebre de Naim, narrado no Evangelho segundo São Lucas, que, “de forma surpreendente” se vai tornar um momento de alegria, pela "presença de Jesus, o seu encontro com a realidade dramática da humanidade e sobretudo os seus gestos de palavra e toque transformam a tristeza em alegria". 

“Os olhos de todos concentram-se em Jesus, e reconhecem-no como ‘um grande profeta’ (Lc 7,16), mas sobretudo como Aquele que dá corpo visível à fé de Israel”, avançou o presbítero membro da equipa formadora do Seminário de Nossa Senhora de Fátima em Alfragide, por onde passam inúmeros jovens em formação dentro da Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos).

“Hoje esta realidade tem ainda força? Quem são os fracos que Jesus levanta? Em que circunstâncias?”, interpelou o palestrante ao sublinhar que a forma como São Lucas apresenta este episódio centra-se no olhar de Deus que vê o coração e não aparências e isso gera Nele compaixão e misericórdia por todos, sobretudo pelos mais “fracos e sofredores”.

“Deus compadece-se dos males da humanidade porque sente, vê  e é efectado pelos males que atingem os seus filhos”, a quem nunca vira as costas. 

“Deus quer capacitar os fracos, quer dar-lhes o lugar na sociedade e dar-lhes a possibilidade de serem uma presença vivida na sociedade e não apenas de uma força ou presença tolerada. Com a sua graça, Deus torna capaz o homem pobre e dá-lhe a força para que possa encarar a realidade” afirmou enfatizando que “os fracos são fortalecidos por Deus”.

“A ação de Jesus é balsamo que acalma a dor da humanidade ferida, derramando sobre ela o óleo da esperança e da consolação”, salientou.

O sacerdote deixou um apelo a todos os presentes: “a Igreja, nos seus diferentes ministérios, é chamada a prosseguir este trabalho; a ser o rosto de misericórdia de Jesus”, disse.

“Um sinal de proximidade simples e concreto pode acionar consequências na vida dos irmãos”, referiu.

“Nos ambientes de igreja, como o Santuário, ouvimos lágrimas, lamentos e frustrações de vidas sofridas e tudo, em nós, tem de começar pela compaixão. Devemos olhar a realidade com os olhos do coração. A compreensão teologal da vida cristã, manifestada na vida de um Santuário, tem de partir sempre de uma atitude de compaixão a partir do acolhimento. Esta deve ser a especialidade de todos os cristãos”, referiu.

“A ação eclesial não se pode ficar pelos gestos sacramentais” afirmou ainda ao salientar que “Se a vida cristã é uma vida tocada por Cristo, todos somos chamados a dar continuidade a este mistério de Jesus que levanta e dá vida”.

“A igreja deve ser um local onde todos possam ser acolhidos, sem julgamentos; onde podemos viver juntos, encontrarmo-nos...é o que acontece em Fátima”, disse.

“Todo o espírito do episodio de Naim traduz a ação salvífica de Jesus” acrescentou ao salientar que a “doença e o pecado ferem a dignidade humana, mas a palavra  de Jesus tem força para levantar e perdoar”.

Por isso conclui: “Se a vida cristã é uma vida tocada por Cristo, todos somos chamados a dar continuidade a este mistério de Jesus que levanta e dá vida”.

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Depois da palestra, seguiu-se um recital  por Gregório Gomes, organista da Sé Catedral do Porto, que apresentou três momentos da obra do compositor Charles-Marie Widor: “Bach’s Memento” – uma transcrição/arranjo para órgão sinfónico de seis obras para tecla de J. S. Bach, compositor que foi influência maior para Widor. O momento musical terminou com um improviso de Gregório Gomes.

Restantes quatro encontros realizam-se até novembro

A agenda dos Encontros na Basílica prossegue a 11 de julho, com a palestra “Atravessar o sofrimento com(o) Francisco e Jacinta” pela irmã Ângela Coelho,  religiosa da Aliança de Santa Maria e recital da organista Rute Martins. A 5 de setembro, o sacerdote de Leiria-Fátima Rui Ruivo abordará o tema “O caminho que te conduzirá até Deus»: o encontro com Deus como experiência de conversão”, num encontro que terminará com um recital do organista Davide Barros. O capelão do Santuário de Fátima, padre José Nuno Silva, falará sobre “A fragilidade como lugar teológico e espiritual” no dia 3 de outubro, dia em que o recital estará a cargo do organista António Mota. O último encontro deste ano pastoral está agendado para 7 de novembro e contará com o recital do organista Sílvio Vicente e com a palestra do diretor do Departamento para o Acolhimento de Peregrinos do Santuário de Fátima, André Pereira, que perspetivará Fátima como acontecimento, lugar e mensagem de esperança.

Os Encontros na Basílica são uma proposta dinamizada pelo Santuário de Fátima desde 2018, que, a cada ano, aprofunda, em cinco encontros, o tema pastoral em vigor.

As conferências decorrem sob as regras de segurança definidas pelo Santuário de Fátima, em consonância com as autoridades de saúde, para este contexto pandémico.

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