06 de agosto, 2026
Visita temática revelou o desafio de representar o Imaculado Coração de MariaEncontro deu a conhecer o acompanhamento exigente da Irmã Lúcia de Jesus até à imagem final.
Cerca de uma centena de pessoas participou na visita temática de 5 de agosto à exposição temporária “Refúgio e Caminho”, na qual o diretor do Museu do Santuário, Marco Daniel Duarte, falou sobre o desafio artístico e espiritual de dar forma iconográfica ao Imaculado Coração de Maria a partir das aparições e dos relatos da vidente Lúcia de Jesus. Sob o título “Dar forma à visão: a representação do Imaculado Coração de Maria a partir das aparições de Fátima”, a visita centrou-se no quinto núcleo da exposição, dedicado à forma como a arte tentou traduzir a experiência mística relatada pela Irmã Lúcia de Jesus. Marco Daniel Duarte começou por recordar que, apesar de a iconografia da Virgem de Fátima provir de fontes bem documentadas - desde os primeiros interrogatórios paroquiais, conduzidos pelo padre Manuel Marques Ferreira, às Memórias e cartas da Irmã Lúcia - a fixação da imagem do Imaculado Coração de Maria só viria a ser concretizada a partir da década de 1940. Foi apenas neste período e com o acompanhamento direto da Irmã Lúcia, que se chegou à imagem hoje conhecida: um coração cercado por uma coroa de espinhos, sem espada nem flores. O diretor do Museu do Santuário de Fátima deu ainda a conhecer o rigor exigido pela vidente na validação de cada peça, comunicada através de correspondência com escultores como José Ferreira Thedim, autor da imagem do Carmelo de Coimbra, e o padre dominicano norte-americano Thomas McGlynn, responsável pela escultura de 4,7 metros e cerca de 13 toneladas que hoje se encontra na fachada da Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima. Segundo o orador, a Irmã Lúcia de Jesus corrigia constantemente pormenores de cada escultura, como a posição das mãos, a inclinação do rosto ou a ausência de cabelo à vista, justificando com frequência que não seria possível representar a Virgem Maria tal qual a viu. No final, Marco Daniel Duarte ofereceu uma compilação de imagens de outras leituras artísticas do tema de autores como Irene Vilar, Silvia Patrício ou mesmo Salvador Dalí, encerrando com uma reflexão sobre o significado espiritual da coroa de espinhos como símbolo de um mundo chamado a “trocar a inteligência artificial pela inteligência do coração”. Na próxima visita, a 2 de setembro, no piso inferior da Basílica da Santíssima Trindade, Sandra Leandro, diretora do Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, analisa a obra “A Última Ceia”, do Mestre do Retábulo do Sé de Évora, patente na exposição. Até ao dia de ontem, mais de 127 mil pessoas visitaram a exposição “Refúgio e Caminho”, que tem entrada livre, de segunda-feira a domingo, das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30.
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