26 de junho, 2026
Aljustrel: o lugar que o mundo visita para conhecer FátimaA poucos quilómetros do Santuário, as casas dos Pastorinhos guardam a memória dos espaços onde tudo começou. Um lugar onde o tempo abranda e os recantos contam a história de Fátima.
Do Santuário de Fátima a Aljustrel distam pouco mais de dois quilómetros. A pé, o percurso até à terra natal dos Pastorinhos faz-se em meia hora. Ali, a distância e o tempo não conseguem medir a experiência de um lugar onde tudo parece abrandar. Nesta pequena aldeia, onde nasceram e viveram os videntes das aparições de Fátima, Lúcia, Francisco e Jacinta, o ritmo apressado do mundo dá lugar ao chilrear dos pássaros e ao vento que percorre suavemente as ruas ladeadas de casas de pedra, num silêncio que convida o peregrino a viajar no tempo e à contemplação. As casas dos videntes ficam na Rua dos Pastorinhos, uma das vias principais daquele lugar. Ao entrar na Casa de Francisco e Jacinta Marto, o visitante depara-se com a realidade de extrema humildade em que viviam. A mobília simples e os quartos de pequenas dimensões transportam o visitante para o quotidiano da época. Entre os quartos de Francisco e Jacinta Marto, está a cozinha, onde a lenha na lareira aviva o ambiente onde a família de onze pessoas partilhava histórias, ao fim do dia. A duas centenas de metros, chega-se à casa onde Lúcia de Jesus nasceu e viveu a sua infância. À entrada, uma fotografia da vidente, à data das aparições, acolhe os visitantes. Na mesma sala, uma cadeira e um crucifixo fazem recordar uma passagem das Memórias da Irmã Lúcia: “Sobes acima duma cadeira, trazê-lo para aqui e, de joelhos, dás-lhe três abraços e três beijos: um pelo Francisco, outro por mim e outro por ti”. Na parede, os ponteiros de um relógio estão parados às sete horas, o momento do nascimento da Irmã Lúcia. Imóveis, parecem acompanhar o ritmo de Aljustrel, onde o tempo não se mede em minutos ou horas, mas em memórias preservadas em cada casa e em cada espaço. Em 2024, a casa da Irmã Lúcia foi alvo de uma intervenção que oferece agora aos visitantes um programa museológico que se enquadra no conceito de “museologia do silêncio”, onde cada espaço vive por si e pelo testemunho que dá enquanto lugar de memória. Foi nesta casa que Lúcia de Jesus nasceu e viveu até aos 14 anos. As paredes e o mobiliário original funcionam como testemunhos vivos de um passado que se mantém presente, proporcionando a centenas de milhares de peregrinos uma imersão na vida da vidente. Na parte exterior, pode também visitar-se um dos lugares das aparições angélicas: o Poço do Arneiro, onde a família habitualmente recolhia água em bilhas de barro. Entre as árvores, um monumento assinala o local onde o Anjo da Paz apareceu às três crianças, em 1916, e lhes pediu oração, penitência e sacrifício.
Apesar do seu carácter rural, Aljustrel é um ponto de passagem obrigatória para quem quer conhecer o acontecimento de Fátima em todas as suas dimensões. Diariamente, chegam grupos de peregrinos, turistas e famílias, de várias nacionalidades, que percorrem estes mesmos espaços, onde tudo começou. Teresinha e Cícero vieram do estado de Santa Catarina, no Brasil, para conhecer estes lugares e falam de uma sensação única. “Ao pisar este solo sentimos uma paz bem grande. Para nós, a fé é tudo e estes lugares são muito especiais”, partilha o casal, grato por estar no local onde os videntes viveram. A mesma ligação é partilhada por Gemma Travieso, das Ilhas Canárias, Espanha. “Ao entrar nestas casas pela primeira vez, cumpri uma promessa relacionada com a saúde da minha filha. Aqui, percebemos a devoção dos pais dos Pastorinhos e que a fé tudo pode”, diz a peregrina espanhola. No silêncio dos espaços de Aljustrel, o peregrino encontra um lugar de contrastes harmoniosos entre o passado e o presente, entre um lugar pacato e um mundo que o quer visitar para conhecer mais profundamente a vida e memória de três habitantes especiais. Em 2025, mais de 420 mil peregrinos conheceram estes espaços museológicos, que fazem parte da memória do acontecimento de Fátima. As casas dos Pastorinhos podem ser visitados diariamente e de forma gratuita, das 9h00 às 12h45 e das 14h00 às 17h45. Encerram na tarde de 24 de dezembro e nos dias 25 de dezembro e 1 de janeiro. |