10 de maio, 2021

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“Em Fátima consigo experienciar o silêncio de Maria e por isso sou um apaixonado por este lugar”

Fernando Santos, seleccionador nacional, é o convidado do podcast #fatimanoseculoXXI este maio, mês de Maria. Guiado pela oração e pelo silêncio que destaca na Cova da Iria, fala sobre a “simplicidade” da Mensagem e sobre o papel aglutinador do Santuário.

 

A conversão, isto é, o encontro com Cristo “foi o momento mais importante da minha vida” e “deste encontro alterou-se a minha relação com Ele e com Nossa Senhora. Eu não sou devoto de Fátima; sou devoto de Nossa Senhora e por isso sou um apaixonado por este local, pela Cova da Iria, porque Ela esteve aqui e a Mensagem que deixou é muito importante para a humanidade”.

As palavras francas de Fernando Santos servem quase de preâmbulo a uma conversa de quase 50 minutos, durante os quais o selecionador nacional se apresenta numa espécie de biografia, de uma fé amadurecida a partir de um profundo conhecimento de Deus e de Nossa Senhora, em cujo silêncio de Fátima consegue encontrar.

“O que me torna apaixonado por este lugar é o silêncio, o silêncio de Fátima; aqui consigo encontrar o silêncio de Maria. Por isso venho sempre muito cedo; não estou contra quem vem nos grandes momentos mas eu gosto de viver este silêncio”, seja na Capelinha das Aparições, na Capela da Adoração, junto ao Sacrário ou num dos espaços da Via-sacra que o Santuário oferece.

“Este silêncio de Maria, que tudo ouvia e guardava no coração, é em Fátima que se entende. Fátima é o local onde eu consigo experienciar isso de uma forma única. Aqui encontro a paz que preciso”.

“A mensagem é tão clara que se sente no altifalante  do coração e Maria nem precisa de falar”, afirma. 

Cristão confesso, Fernando Santos nasceu no seio de uma família que, como tantas outras famílias, vinham e vêm regularmente a Fátima, mesmo sem uma grande prática religiosa. Desses tempos guarda a ideia “de comércio”.

“Fátima sempre esteve ligada a mim e embora tivéssemos uma prática religiosa pouco regular e circunscrita a ocasiões sociais, que ainda assim eram frequentes (casamentos e batizados), vínhamos sempre a Fátima uma ou duas vezes no ano”. Aliás, em bom rigor era Fátima que o ligava à Igreja, mas “era aquela peregrinação de vir, pedir, pôr uma vela; mesmo adulto continuei a fazer o mesmo. Ou seja, com um espírito muito diferente do que faço hoje”, reconhece.

“Muitas vezes eu vinha fazer um negócio. Era fácil e barato: vinha pedir e prometia uma vela. Se tudo corresse bem vinha pôr um vela, mas, hoje, vendo bem, se calhar, até não era um negócio”, reformula porque “agora já não me penalizo tanto e faço outra leitura”, adianta.

“Vinha porque a semente estava lá ;  eu é que não a deixava crescer” esclarece, senão como é que “posso explicar ter-me casado pela Igreja, ter batizado os meus filhos ou tê-los posto em colégios católicos?”, interroga em jeito de monólogo, como que a explicar o seu processo de conversão.

“O momento é 1994, quando fiz o Cursilho de Cristandade. Já tinha regressado à Igreja mas ainda ficava nos bancos de trás, à espera que tudo terminasse”, confessa. À espera que algo mudasse, “mas a mudança somos nós que a fazemos”.

“Um dos grandes problemas da humanidade é estar à espera de mudança, mas a mudança dos outros, quando efetivamente a mudança tem de começar em nós”, lembra, recuperando, uma vez mais, o exemplo de Maria.

“A mensagem de Maria, que aqui foi deixada na Cova da Iria, tem muito a ver com a primeira mensagem dos cristãos: Vede como eles se amam... É preciso rezar muito, para que mudemos e depois amar o próximo como amamos a Deus. É tão simples, não é?”. Pois, o “caminho é claro, porque é que não somos capazes de o ver?”. E, depois, há a liberdade de cada um. “O que mais gosto é dessa liberdade; Deus, e Maria, não nos impõem nada, apenas mostram as consequências de seguirmos ou não seguirmos o caminho da salvação”, acrescenta.

“No ínicio não havia Igreja; havia os apóstolos e todos eram responsáveis. Mesmo depois da morte, logo nos primeiros tempos, eles repartiam tudo e eram felizes. Hoje,  as coisas não funcionam assim e nós temos de nos questionar porque é que não somos nós os primeiros a mudar”.

“Maria disse-o aqui aos três Pastorinhos, e por intermédio deles a toda a humanidade: o caminho é este, podem segui-lo ou não;  se o seguirem as consequência serão umas,  se não o seguirem as consequências serão outras”, afirma.

“Rezar, pedir pelo mundo... nós sabemos qual é o nosso caminho, se acreditamos e não o fazemos, é complicado”, esclarece salientando as dores de Nossa Senhora.

“É justamente o silêncio das dores Dela, que queria agradar ao Filho, como nas bodas de Canã em que pediu que fizéssemos tudo o que Eles nos dissesse, que me interpelam. Isto é muito bonito e simples”.

E como alcançar esse silêncio tão necessário? “Aprender com os Pastorinhos e meditar sobre a Palavra de Deus” refere, ciente de que tal como São Paulo ensinou o “centro da nossa fé está na ressurreição; se não acreditarmos nela, e que Cristo vive em cada um de nós, a nossa fé é vã”.

Neste podcast #fatimanoseculoXXI, que pode ser ouvido na íntegra em www.fatima.pt/podcast ou nas plataformas Itunes e Spotify, o seleccionador nacional sublinha, ainda, o papel aglutinador do Santuário.

“Este papel aglutinador da Igreja está reservado a Fátima. Há muitos outros santuários, importantes sim;  locais de peregrinação sim;  os nossos bispos são muitos importantes, mas o espaço agregador é Fátima, mesmo  para os que estão mais afastados. Quem os une a Deus é Fátima. Por isso, o que fazem sempre todos os anos? Vêm a Fátima”.

 

 

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