13 de setembro, 2021

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Fátima “é o Céu aberto, uma luz num mundo de trevas”, afirma o cardeal Jean-Claude Hollerich

Aos 63 anos de idade, o cardeal arcebispo do Luxemburgo é um profundo admirador da Igreja Portuguesa e um conhecedor da emigração portuguesa não só no Luxemburgo mas também na Europa em geral. O prelado é o convidado do podcast #fatimanoseculoXXI, onde também fala de Fátima e da proposta que é feita na Cova da Iria, através da mensagem deixada por Nossa Senhora para o regresso de uma humanidade ferida ao essencial.

 

 

“Pessoalmente, sempre vivi Fátima como a abertura do Céu, uma luz, diria, num mundo das trevas. Creio que o nosso mundo precisa disto”, começa por afirma o arcebispo Jean-Claude Hollerich numa conversa de meia hora, da qual resulta o podcast #fatimanoseculoXXI de setembro, disponível em www.fatima.pt/podcast e também no iTunes e no Spotify.

“O mundo afunda-se, por vezes, em todas as dificuldades. Se olharmos para as notícias, todas as noites, fala-se de morte, de desolação, etc. Diria mesmo: o mundo está em pé de guerra. Há tantas pessoas que sofrem em guerras, em conflitos” evidencia salientando que a virtude da mensagem de Fátima é o facto de Nossa Senhora ter colocado “o dedo na ferida”, isto é, “temos de ter paz e isso só se consegue se nos comportarmos como irmãos, com fraternidade”.

“Creio que em primeiro lugar o facto de Nossa Senhora se ter dirigido aos três Pastorinhos é algo de maravilhoso”, pois “mostra que o amor de Deus é para os mais pequenos, os mais pobres”.

Por outro lado, “Nossa Senhora não apareceu em nenhum centro de poder económico ou político, mas numa região bem pobre na época, a crianças que não tinham nenhum poder”, mas“tinham um coração capaz de compreender a mensagem”.

“Ficaria feliz se pudéssemos ter o mesmo coração para compreender esta mensagem, que é precisamente uma mensagem universal. A universalidade da fraternidade é uma resposta a esta mensagem universal”, desenvolve o prelado.

“Nossa Senhora apenas veio repetir a mensagem de Jesus, a mensagem da fé. O Papa lembrou-nos também que somos todos irmãos, por isso devemos viver como tal. Devemos viver como irmãos, por exemplo na utilização dos recursos da terra de forma que as gerações futuras possam viver com alegria nesta terra como fazemos agora”, acrescenta.

“Ver neste mundo o Céu aberto que Fátima propõe, ter um pouco acesso a esta luz do Céu, a esta luz divina, dá-nos a paz do coração, da alma, para nos envolver neste mundo, para que cada um viva a sua missão”, adianta o cardeal.

“Eu gosto de Fátima. Como já disse, é o Céu aberto. Por vezes também na vida de um bispo temos muitas preocupações, muitas reuniões, e é preciso voltar ao essencial. Fátima é o regresso ao essencial”, confidencia num registo mais pessoal.

“Não acredito que possamos resolver todos os problemas deste mundo; mas se vivermos esta partilha, este amor, com as pessoas que nos rodeiam, o mundo mudará”, afirma.

“Um homem, uma mulher que reza, que tem uma relação com Deus, tem a coragem, a inteligência e a esperança de trabalhar para um mundo novo e melhor”, diz.

“É verdade que a oração não é tudo; mas sem a oração tudo é nada. Porque a oração abre-nos a Deus, à realidade de Deus e ao amor de Deus. A nossa oração tem sempre um efeito no coração. E é talvez do que mais precisamos: que o nosso coração possa mudar”, afirma ainda. Por isso, “é preciso rezar, é preciso rezar como a Jacinta, com um coração simples, estar aberto à Deus, e rezar pelos outros; não por si, não para ter um carro melhor, etc., mas rezar pelos outros; porque a Jacinta sentia a dor das almas perdidas”, diz.

“Temos de rezar pelos líderes europeus para que se abram à pobreza, porque hoje temos todos a tentação de pensar que vivemos numa pequena comunidade, com pessoas que pensam como nós, e já não vemos o mal que existe, já não conseguimos ver a pobreza, a miséria”.

“É preciso rezar muito pelos políticos!” conclui.

“Há muitos portugueses no Luxemburgo. Nem todos são fervorosos frequentadores da missa e da igreja, mas os que o são, são-no de forma admirável. Comprometem-se verdadeiramente. Penso que todos estes migrantes têm como que uma honestidade no coração”, adianta, por outro lado, sublinhando a legitima aspiração dos migrantes a uma vida melhor.

“Querem ter uma vida boa. Do ponto de vista material naturalmente, mas não apenas do ponto de vista material; querem uma vida boa e moral. Sempre me tocou a profunda moralidade nas famílias portuguesas. Não é uma moralidade estreita, porque podemos ser morais de tal forma que todas as pessoas querem sair donde estamos, mas antes uma moralidade natural que é necessária para que a vida possa ser um sucesso. Encontrei isto nas famílias portuguesas e admiro muito este aspecto”, afirmou.

“Sinto-me mais rico, como luxemburguês, porque existem os nossos amigos portugueses. É preciso continuar; apercebemo-nos de que somos uma grande família humana e que as características nacionais, que são diferentes, manifestam todas a beleza e a grandeza do espírito e do coração do nosso Criador”.

“A Europa não poderá acolher todos aqueles que querem vir. É preciso estabelecer políticas para que as pessoas permaneçam nos seus países e possam ter uma vida boa nos seus países. Mas os que são perseguidos, temos o dever sagrado de os acolher”, afirma o cardeal Hollerich, presidente da Conferência das Comissões Episcopais Europeias.

“Creio que as dificuldades da integração são sentidas pelas pessoas que não têm contacto com os refugiados (...) Penso que falamos demais por vezes, nos meios intelectuais, etc.: a integração acontece pelas pessoas quando trabalham juntas. Ficamos então curiosos e a maneira de viver ou a religião diferente do meu colega de trabalho é algo que aceito e que me interessa. Devemos olhar para esse nível verdadeiramente humano”.

“Um cristão não é em primeiro lugar alguém que acredita em coisas que não podemos provar – a fé não é isto – mas alguém que segue Jesus, que escuta a sua Palavra, que tenta pô-la em prática na sua vida”.

“A Igreja tem uma grande responsabilidade no mundo. E, como Igreja, devemos caminhar juntos; o processo sinodal é isto e exige uma grande escuta. O caminho sinodal não é possível sem a escuta. A escuta pressupõe respeito pelo outro, reconhecer e aceitar as diferenças que existem, não querer forçar algo”.

“Sabemos que o Papa Francisco tem inimigos, mas o Papa Francisco proclama o Evangelho; assim, podemos dizer que são inimigos do Evangelho e querer um cristianismo sem Evangelho, não, não funciona assim”, afirma, ainda a propósito do caminho sinodal proposto pelo Papa Francisco.

“Penso que o caminho que o Papa indica para a Igreja é o único possível. É um caminho que se percorre com humildade, juntos, e no qual o homem, a mulher, está sempre no centro, então não há lugar para fundamentalismos”.

O podcast #fatimanoseculoXXI pode ser ouvido na íntegra em www.fatima.pt/podcast, no iTunes e no Spotify.

 

 

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