07 de julho, 2026

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Novo livro estuda o impacto de Fátima na primeira década

Obra da autoria de Luís Miguel Ferraz foi lançada no início do mês e analisa a cobertura das aparições de Fátima no jornal diocesano O Mensageiro.

 

O Santuário de Fátima publicou, no passado dia 2 de julho, o quinto volume da sua coleção História, Cultura e Sociedade. A apresentação do livro As Aparições de Fátima no jornal O Mensageiro (1917–1927): história e teologia do seu impacto para a revitalização do catolicismo no contexto da I República e da I Guerra Mundial, da autoria de Luís Miguel Ferraz, aconteceu no final do segundo dia dos Cursos de Verão.

A sessão foi presidida por Marco Daniel Duarte, diretor da Academia de Estudos do Santuário de Fátima, que destacou a importância de somar este título ao labor editorial da instituição, que remonta aos anos 30 do século passado. 

“O empenho que o Santuário de Fátima tem nestas publicações inscreve-se na sua missão de estudar e divulgar os estudos dos que inscreveram Fátima nos seus curricula de investigadores. Felizmente podemos hoje dizer que Fátima é já tema de investigações em Portugal e no estrangeiro”, disse Marco Daniel Duarte.

A apresentação da obra ficou a cargo de Paulo Fontes, do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa, que salientou o facto de este ser, acima de tudo, um “livro de história” e não uma obra devocional, que analisa o primeiro momento fundador de Fátima.

Na perspetiva de Paulo Fontes, este volume explora como Fátima contribuiu para a transição de um “catolicismo defensivo” para um “catolicismo de mobilização”, capaz de ocupar o espaço público num contexto de laicização imposto pela Primeira República.

A obra tem como fonte o jornal regional O Mensageiro, fundado em 1914 para lutar pela restauração da Diocese de Leiria, e mostra, segundo Paulo Fontes, como a imprensa católica serviu de veículo para a “boa imprensa” em oposição à narrativa secular da época, ajudando a moldar a perceção das aparições em tempo real.

 

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Luís Miguel Ferraz, autor da obra, integra a Academia de Estudos do Santuário de Fátima desde 2019.

 

A investigação resgata a importância do padre José Ferreira Lacerda fundador e diretor do jornal à época e figura central na Diocese de Leiria, que, após regressar da frente de batalha na I Guerra Mundial, entrevistou os Pastorinhos, em 1917, e publicou este testemunho n’ O Mensageiro.

O volume agora publicado é resultado de mais de uma década de trabalho do autor, Luís Miguel Ferraz, que integra atualmente a Academia de Estudos do Santuário de Fátima. O estudo teve origem na sua tese de mestrado, defendida na Universidade Católica Portuguesa, que viria a ser atualizada com o acesso a novas fontes e arquivos.

“O propósito foi o de olhar para Fátima como um historiador, procurando compreender o contexto em que tudo aconteceu, as reações que suscitou, a forma como aquelas notícias foram sendo recebidas, discutidas e transmitidas”, partilhou o autor, que perspetiva o seu trabalho como um meio para compreender melhor as pessoas e as instituições desta época concreta.

“Conhecer melhor a história não diminui a fé de quem acredita, nem fortalece automaticamente a posição de quem não acredita. Ajuda-nos, acima de tudo, a compreender melhor as pessoas, o seu tempo e as razões pelas quais determinados acontecimentos marcaram profundamente a vida de tantas gerações”, concluiu o autor.

A obra pode ser adquirida nas lojas do Santuário de Fátima.

 

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