04 de julho, 2026

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O coração que Deus tem e que o homem procura

Na visita temática de julho, Frederico Lourenço mostrou que o coração pode ser dor, pureza, razão, memória ou humildade.

 

Perante a pergunta “Que dizem os textos bíblicos sobre o coração?” Frederico Lourenço mostrou, na visita temática de 1 de julho à exposição temporária “Refúgio e Caminho”, o coração que Deus tem. O professor catedrático da Universidade de Coimbra, tradutor da Bíblia e especialista em Línguas e Literaturas Clássicas, olhou para o coração nas Escrituras e frisou que é nele que ocorre a verdadeira conversão.

À questão “Deus tem coração?” Frederico Lourenço respondeu “tem, sim”, pois “inequívoca é a resposta da Bíblia”. A partir do Génesis, levou os 190 participantes da visita a ver as duas primeiras vezes em que a palavra coração surge: “uma fala do coração do homem; outra, do coração de Deus”. Dois versículos seguidos, no Dilúvio, que citou: “Deus viu a maldade dos homens, e o seu próprio coração sofreu amargamente”. Acentuou daí a expressão “o seu próprio coração sofreu”, referente ao coração de Deus. Destacou-o como “lugar de encontro do homem com Deus”, “onde Deus se revela ao homem” e “lugar do chamamento de Deus”.

Dos manuscritos bizantinos de Lucas, Frederico Lourenço citou “uma versão de Isaías que não está nas edições modernas da Bíblia”: “o Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar o amor aos mendigos e para curar os despedaçados no coração”. “Cristo cura o nosso coração partido”, concluiu. A expressão “coração partido” é originária não do anglicismo heartbroken, mas sim do profeta Isaías, notou.

Entre as obras “Banquete” de Platão e “A Cidade de Deus” de Santo Agostinho formulou que a pureza de coração decorre da intenção antes da ação, pois “a beleza de coração exigida para vermos Deus tem a ver com aquilo que o coração sente”.

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Em percurso reflexivo, Frederico Lourenço levou os participantes a observar o coração nos Quatro Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João. Em Mateus, mostrou que “o coração compreende” quando Jesus diz: “os olhos servem para ver, os ouvidos servem para ouvir e o coração serve para compreender”. “Compreender com o coração” é converter-se. De Marcos, mencionou de novo a pureza de coração, quando Jesus disse: “nada há fora do homem que, entrando nele, o possa contaminar; mas o que sai do homem, isso é o que o contamina”. De João, destacou o momento em que Jesus consolou os Apóstolos: “não se agite o vosso coração”. A Lucas, referiu-o como “evangelista de Nossa Senhora”, atento ao coração de Maria. Porque depois da Adoração dos Pastores, notou que “Maria conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração”. E no Magnificat, Maria afirmou que “o Senhor derrubou os poderosos dos seus tronos e exaltou os humildes”.

Ao concluir, relacionou o Coração Imaculado de Maria e o Sagrado Coração de Jesus. Salientou o substantivo humildade que no conjunto dos quatro evangelhos ocorre só no Magnificat, na frase “porque pôs os olhos na humildade da sua serva”. Pela humildade relacionou o Coração de Maria com o Coração de Jesus, pois no Novo Testamento o Coração de Jesus tem “mansidão e humildade”, “duas qualidades raras”, pelas quais “todos ganhamos em imitar Cristo”, disse.

Terminou com um convite: “sejamos, pois, mansos e humildes”.

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04 jul 2026

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