13 de agosto, 2023

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Peregrinos desafiados a perseverar na fé, face às dúvidas da vida

Na homilia deste 13 de agosto, o arcebispo de Luanda encorajou a assembleia reunida na Cova da Iria a “subordinar a dúvida à verdade da fé”, tendo como exemplo a entrega incondicional de Maria.

Esta manhã, na homilia da Missa Internacional Aniversária de 13 de agosto, D. Filomeno do Nascimento Dias refletiu sobre a dicotomia da dúvida e confiança que experimenta quem crê. A partir da “perfeita metáfora sobre a fé” do episódio do Evangelho em que Jesus caminha sobre as águas, o arcebispo de Luanda encorajou os peregrinos reunidos no Recinto de Oração a “subordinar a dúvida à verdade da fé”, apresentando como modelo a entrega incondicional de Maria aos desígnios de Deus.

“Somente na beleza da graça somos capazes de subordinar a dúvida à verdade da fé. Verdade esta que configura toda a nossa caminhada terrena quando se deixa moldar qual Maria, a Virgem de Fátima que, sem entender completamente, aceitou o projeto divino com um fiat. (…) Também nós fazemos este discipulado, entramos nesta escola de vida feita de fé ativa e viva. Entramos na escola desta Mulher, pobre e simples, que é feliz porque acreditou”, sustentou o prelado, ao apresentar Fátima como lugar que “fala desta presença de Deus na nossa história, na nossa vida, nas águas agitadas dos oceanos e nas horas escuras da vida”.  

“É bom estarmos aqui, neste lugar de paz, de amor, onde nos sentimos acolhidos e temos uma oportunidade única de estarmos em diálogo connosco, de percorrermos a nossa história e reorientarmos os nossos caminhos... Lugar de gratidão, de louvor, onde nos sentimos família de Deus”, disse D. Filomeno do Nascimento Dias, logo no início da homilia, na qual perspetivou a fé como “um desafio progressivo" e “um ato de confiança que permite prosseguir o caminho da vida".

“A fé é o Homem e a sua existência, o Homem e as suas circunstâncias. Como Maria, como Pedro, como os profetas, como os santos, o Homem de fé também tem os seus medos, as suas dúvidas e hesitações, os seus momentos de desespero e arrepio. (…) Diante de todas essas realidades vem a voz de Deus, quando vimos a Maria, que nos diz: ‘Não temais, o Senhor está convosco!’”, assegurou o presidente da celebração.

“Neste Evangelho, a fé não é uma realidade que começa do nada, mas um dado que começa a partir de qualquer coisa, do pouco; e vai observando um crescendo. Porém, este pouco pode ser nada se não se considera o encontro com Jesus, mas pode ser tudo e fazer a diferença se se continua a caminhar com Jesus”, alertou o prelado, para exortar os peregrinos a manterem a fé “sempre em exercício, sempre desperta e ativa”, sob o perigo de ela se “atrofiar como um músculo inutilizado”.

 

“Fenómeno complexo da migração” deve ser acompanhado numa lógica de acolhimento e integração, subscreve D. Filomeno do Nascimento

Neste dia em que, na Cova da Iria, se cumpre também a Peregrinação Nacional dos Migrantes, no culminar da 51.ª Semana Nacional das Migrações - que, este ano, decorreu sob o tema “Livres de escolher: se ficar ou emigrar” -, o arcebispo de Luanda perspetivou as migrações como “um fenómeno complexo”, ao lembrar a realidade que se vive particularmente no mar Mediterrâneo.

Citando a mensagem do Santo Padre para o Dia do Migrante e Refugiado, o arcebispo de Luanda destacou a importância de se configurar a migração como “fruto duma escolha livre”, num esforço global para um melhor acompanhamento e gestão dos fluxos migratórios, “construindo pontes e não muros”, através de uma comunidade “pronta a acolher, proteger, promover e integrar a todos, sem distinção”.

Na saudação inicial, o presidente da Peregrinação saudou os prelados que consigo concelebraram: D. José Ornelas, bispo de Leiria-Fátima: a quem agradeceu o convite para presidir a Peregrinação de Agosto; e D. José Traquina: presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana. Saudou ainda D. Rui Valério, na sua recente nomeação como Patriarca de Lisboa.

A palavra ao Doente, no momento de Adoração ao Santíssimo Sacramento, Eugénia Quaresma, diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações, apontou para Nossa Senhora como modelo de “confiança e gratidão”, alertando para a urgência do “consolo, da esperança, do cuidado”, do reconhecimento da “interdependência, enquanto cidadãos, e povos” e da promoção de “soluções criativas para devolver a dignidade, aproximar famílias, combater a solidão”.

“Aqui, no ‘altar do mundo’, damos graças por tantos missionários e missionárias que partem apressadamente para cooperar no desenvolvimento de estruturas e profissionais de saúde além-fronteiras. Aqui, no ‘altar do mundo’, coloco os doentes que estão entre nós ao abrigo dos acordos de saúde, que possam em Ti encontrar conforto e nas nossas pessoas e estruturas, o cuidado de que necessitam”, concluiu na sua alocução.

 

Bispo de Leiria-Fátima pede melhores condições e acolhimento para os migrantes

Na alocução final, o bispo de Leiria-Fátima destacou o tema da mobilidade e migrações humanas, que tradicionalmente dá mote à Peregrinação Internacional Aniversária de Agosto, alertando para a “miséria, conflitos e falta de dignidade” que acomete esta realidade.

“Maria, que veneramos neste Santuário, foi uma peregrina de Deus no mundo e a Igreja é peregrina, entre todas as nações da Terra, a caminho da pátria do Céu. Que a Mãe de Deus acompanhe os emigrantes, que deixam a sua terra à procura de melhores condições de vida, acompanhe particularmente aqueles que, ao longo deste caminho, são postos à prova, são injustiçados, são explorados e, por vezes, encontram sofrimento e morte. Que Ela dê aos países para onde eles vão um coração aberto, para acolher os que chegam e para reconhecer o contributo que eles vão dando às sociedades que os sabem acolher”, pediu D. José Ornelas.

O prelado deu graças a Deus pela Jornada Mundial da Juventude, perspetivando o encontro mundial de jovens como exemplo prático a comunhão na diferença, e um anúncio da “da fé e da universalidade do amor de Deus, que transforma o mundo”.

D. José Ornelas agradeceu a presença e as palavras de D. Filomeno do Nascimento Dias, que disse trazer “a memória grata e inspiradora da Igreja em Angola, na sua juventude e espírito missionário”.

O bispo de Leiria-Fátima agradeceu também a presença de D. Rui Valério, pedindo a Nossa Senhora que “oriente os seus passos de pastor ao serviço do povo que lhe é confiado”.

D. José Ornelas agradeceu ainda a presença de D. José Traquina, responsável pelo setor das Migrações na Igreja em Portugal e de todos os sacerdotes e peregrinos hoje presentes na Cova da Iria, particularmente aos mais pequenos, a quem desejou boas férias.

O prelado saudou os peregrinos de língua espanhola, italiana e inglesa, antes convidaro a assembleia a particpar num momento de consagração pessoal a Nossa Senhora. 

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