05 de julho, 2026

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“Quando nos damos aos outros, mesmo que custe, isso faz-nos felizes”

Na missa a que presidiu esta manhã, no Santuário de Fátima, D. Frédéric Rossignol, bispo de Tournai, desafiou os fiéis a transformar o sofrimento em gesto de amor.

 

O bispo de Tournai, na Bélgica, D. Frédéric Rossignol, afirmou, esta manhã, na missa a que presidiu na Basílica da Santíssima Trindade, em língua portuguesa, que o verdadeiro “jugo” de Cristo é o da generosidade e que os cristãos são chamados a transformar os sacrifícios quotidianos em gestos de amor e de entrega a Deus.

Na homilia que proferiu, D. Frédéric Rossignol partiu da passagem do Evangelho em que Jesus convida os discípulos a tomarem sobre si o seu jugo: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve”.

Na reflexão que partilhou com os fiéis, o bispo de Tournai, quis certificar-se de que todos percebiam o significado da palava “jugo”. Por isso explicou: “é aquela peça pesada, feita de madeira e ferro, que se põe ao pescoço dos bois para eles puxarem o arado no campo. Junto com o arado pesa toneladas. Um homem sozinho nunca conseguiria puxá-lo”.

Este peso que Deus desafia os cristãos a carregar não tem por objetivo “assustar”, nem “ver se somos super-heróis da fé”, clarificou. “Deus não anda a fiscalizar se somos bons ou maus cristãos. Deus respeita o nosso ritmo e vai-nos guiando passo a passo conforme a nossa capacidade de o seguir”, garantiu.

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D. Frédéric Rossignol, missionário durante vários anos no Vietname, recorreu à sua experiência para ilustrar que o sacrifício ganha sentido quando é vivido ao serviço dos outros. Recordando o período em que se levantava diariamente às 4h30 para celebrar a missa, afirmou que esse esforço não lhe pesava porque “esse sacrifício fazia sentido”, ao saber “da alegria da gente que estava à espera do padre para celebrar”.

“O jugo que o Senhor nos propõe é simplesmente o da generosidade. E a verdade é esta: quando nos damos aos outros, mesmo que custe, isso faz-nos felizes”, sublinhou.

O bispo belga apontou ainda o exemplo dos pais que enfrentam as exigências da vida familiar, considerando que os sacrifícios assumidos por amor aos filhos são expressão concreta da generosidade cristã.

Prosseguindo nessa linha de pensamento, advertiu que o maior peso não é o da entrega ao próximo, mas “o jugo do egoísmo” e defendeu que uma vida centrada nos interesses pessoais acaba por se tornar mais pesada e sem sentido.

D. Frédéric Rossignol destacou igualmente a importância de criar hábitos de vida cristã, como o perdão e a fidelidade à vontade de Deus, afirmando que essas atitudes tornam mais leve o caminho da fé e fortalecem a capacidade de enfrentar as dificuldades.

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Numa alusão aos Santos Pastorinhos, o bispo recordou os sacrifícios que Francisco, Jacinta e Lúcia aceitaram oferecer pelos pecadores, apresentando-os como exemplo de confiança em Deus e de disponibilidade para colaborar na missão de salvação. Salientou ainda que a mensagem de Fátima recorda que todos os cristãos têm responsabilidade pela própria santidade e pela das pessoas que os rodeiam.

Perante o sofrimento provocado pela doença, pelos conflitos familiares ou por outras provações da vida, D. Frédéric Rossignol convidou os fiéis a não cederem ao desânimo, mas a oferecerem essas dificuldades a Deus como expressão de amor e solidariedade pelos outros.

No final da homilia, o bispo partilhou com os peregrinos ter sido ordenado há sete meses para a Diocese de Tournai. Ciente dos desafios que o aguardam, afirmou que “o mais importante é viver o momento presente” e reconhecer que “o amor é sempre o motor da nossa vida”.

A celebração contou com a presença de cerca de três mil peregrinos da Família Missionária Espiritana, que realizou a sua peregrinação ao Santuário de Fátima durante este fim de semana. Estiveram ainda presentes outros três grupos de Portugal, dois da Irlanda, um do Reino Unido e um de Espanha.

Neste domingo, a missa das 11h00 realizou-se na Basílica da Santíssima Trindade, e não no Recinto de Oração, devido às condições meteorológicas extremas. Apesar da mudança de local, foi mantida parte da ritualidade habitual da celebração dominical. Após a recitação do Rosário, às 10h45, na Capelinha das Aparições, a procissão com a imagem de Nossa Senhora seguiu em direção à Basílica da Santíssima Trindade e, após a Eucaristia, regressou, em procissão, à Capelinha das Aparições.

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Áudio da homilia de D. Frédéric Rossignol

 

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Rosário, na Capelinha das Aparições

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