29 de novembro, 2025
Santuário inaugura novo ano pastoral dedicado ao Coração de MariaJornalista, historiador e cirurgião refletem sobre fé, atualidade e relações humanas no arranque do novo ciclo.
Esta tarde, no Centro Pastoral de Paulo VI, foi apresentado o novo ano pastoral do Santuário de Fátima, que inicia este domingo, 30 de novembro, e terá como tema “Coração de Maria, caminho para ver a Deus”. A sessão de abertura incluiu um painel que juntou uma jornalista, um historiador e um cirurgião cardiotorácico, que refletiu sobre a fé e a atualidade da Igreja, do mundo e as relações humanas, com o tema do ano pastoral como horizonte. A abertura do encontro coube ao reitor do Santuário de Fátima, que apresentou o tema do novo biénio 2025-2027, enquadrado num ciclo de quatro anos que se prolongará até 2029, delineando, de seguida, os objetivos gerais para este primeiro nomeadamente o aprofundamento do ciclo cordimariano de Fátima, ocorrido em Tuy e Pontevedra, e da vida da vidente Lúcia de Jesus e a reflexão do lugar de Maria e do seu Coração Imaculado na vida cristã. Neste biénio, será dado particular relevo à difusão da devoção dos primeiros sábados, prática específica que “pode ser considerada “um compêndio de toda a mensagem de Fátima”, anunciou o padre Carlos Cabecinhas.
Uma jornalista, um historiador e um cirurgião refletiram sobre o coraçãoSeguiu-se um painel que juntou a jornalista Helena Matos, o historiador José Eduardo Franco e o cirurgião cardiotorácico Manuel Antunes, à volta do tema do novo ano pastoral. A origem da relação de cada convidado com Fátima foi o ponto de partida para uma conversa que percorreu a fé e a atualidade da Igreja e do mundo e também as relações humanas, sempre com o tema do ano pastoral como horizonte. “Fátima é o resultado de várias coisas, entre elas, de uma personalidade fortíssima, que é a de Lúcia”, começou por afirmar a jornalista Helena Matos, sublinhando a beleza e a paz interior subjacentes na espiritualidade do Imaculado Coração de Maria. Ao refletir sobre o tema das espiritualidades crentes relacionadas com o coração, o historiador José Eduardo Franco perspetivou os Imaculados Corações de Jesus e Maria como “diques que surgiram na emergência de uma nova forma de barbárie no mundo” e Fátima como “grande manifesto pela paz” no tempo atual. Interrogado sobre a ligação do coração ao sentimento do amor, o médico cirurgião Manuel Antunes foi até aos primeiros dias da conceção da pessoa, para reforçar as estreitas ligações que existem entre os seres humanos, desde os primeiros dias de vida, por via do coração.
"Fátima nasce da determinação do feminino”A conversa derivou depois para a importância do feminino em Fátima, com Helena Matos a expressar a ideia de que “em Fátima, há uma que começa a ser uma relação de mulheres, desde os primeiros dias”. “Fátima nasce da determinação, resiliência e inteligência de Lúcia e, depois, da força e determinação das mulheres, que foram quem começou a querer vir a Fátima. Este é um espaço da Virgem Maria e das marias. É um espaço verdadeiramente mariano.”, sintetizou a jornalista. José Eduardo Franco deu continuidade a esta ideia, apresentando Fátima como “expressão de uma visão feminina”, à qual “muitas vezes não se deu muita atenção”, destacando duas protagonistas que o comprovam: Lúcia de Jesus e as mulheres que foram “absolutamente determinantes” na difusão global de Fátima através do trabalho que desenvolveram na dinamização das viagens da Virgem Peregrina de Fátima pelo mundo.
“Só quem ama com o coração atinge uma realidade maior”Os temas da fé e das relações humanas no mundo atual deram o tom ao final do diálogo, que prendeu a atenção das cerca de três centenas de pessoas que assistiu à jornada. Helena Matos começou por olhar para a fé como “contributo para a cordialidade”. “A esperança que existe é que a fé, pelo menos como os cristãos a entendem, leve a que o espírito de entendimento entre os homens cresça”, perspetivou a jornalista, aludindo ao ressurgimento de discursos políticos contrários a este entendimento e sublinhando a importância do serviço no âmbito político e social, com vista a um mundo mais pacífico. Sobre esta questão, José Eduardo Franco trouxe à conversa a ideia de “cultura da gentileza”, que Fátima pode oferecer ao mundo, sobretudo no âmbito político, acrescentou. “Só quem ama com o coração atinge uma realidade maior, onde Deus poderá estar. O saber que vem do amor é aquele que torna Deus mais transparente ao olhar humano”, concretizou o historiador.
No final, os convidados foram instados a olhar para o futuro e para a atitude pessoal ideal com vista a um mundo com um coração mais desperto para o amor. O médico cirurgião enunciou alguns adjetivos que a sua profissão deve ter para poder ser exercida com um “coração puro”, destacando a fé como aspeto essencial. Já Helena Matos destacou o esforço contínuo de procurar “melhorar o mundo à nossa volta, na humildade da condição humana”. “A vida não é um pacote que compramos, mas um caminho onde devemos procurar fazer mais pelo nosso coração e pelo coração dos outros”, concluiu a jornalista. O final do diálogo foi pontuado com um momento musical, no qual os coros do Santuário de Fátima interpretaram músicas alusivas ao tema do ano pastoral, proporcionando um ambiente de reflexão sobre o que havia sido dito momento, momentos antes. No final da sessão, D. José Ornelas deu graças pela jornada que abriu o novo ano pastoral no Santuário, e propôs três ideias essenciais para melhor viver este biénio de 2025-2027: procurar fazer Fátima descer ao seu coração, onde é chamada a ser: “um coração decidido, resiliente”, não “privatizar Fátima” numa ideia autocentrada, mas concretizá-la sua vocação de abraçar o mundo, e procurar fazer de Fátima casa materna de acolhimento e estar ao serviço. Antes da sessão de apresentação do novo ano pastoral, ao início da tarde, foi inaugurada a nova exposição temporária do Santuário de Fátima “Refúgio e Caminho”, no Convivium de Santo Agostinho, no piso inferior da Basílica da Santíssima Trindade. A nova mostra comemora o centenário das aparições de Nossa Senhora em Pontevedra e vai estar de portas durante o biénio de 2025-2027. |