11 de agosto, 2021

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A mensagem de Fátima “abre o coração do ser humano à esperança”, afirma D. José Leonardo Montanet

Bispo de Ourense é o convidado do podcast#fatimanoseculoXXI, onde reflete sobre o papel do Santuário na transformação de um turista religioso em peregrino

 

O que distingue o Santuário de Fátima de outros lugares, que acolhem igualmente, milhares de pessoas, é o “silêncio orante”, condição para que o turista que se desloca a espaços religiosos se converta em peregrino. Esta é a marca presente em Fátima segundo o bispo de Ourense, que foi cónego da catedral de Santiago de Compostela e que hoje é titular de uma diocese em cuja capital se encontra a paróquia de Nossa Senhora de Fátima, onde a 13 de maio, anualmente, se realiza uma das maiores manifestações de religiosidade popular, com uma procissão de velas “semelhante à de Fátima” pelas ruas da capital.

“Eu conheci lugares de peregrinação, eu vivi uma experiência como sacerdote num lugar de peregrinação aonde vão muitos peregrinos, mas onde há muito turismo. O turista, por vezes, confunde-se com o peregrino, ou melhor o peregrino com o turista. Mas, onde não existe essa confusão, entre peregrino e turista, é aqui em Fátima”, refere D. José Leonardo Montanet. 

“Aqui, em Fátima, até o turista mais duro, religiosamente falando, acaba por converter-se em peregrino. E porque é que isto acontece? Porque a Igreja, em Fátima, conseguiu construir um ambiente oportuno para que, a partir do momento em que se entra nesta grandíssima esplanada, neste grandíssimo recinto, ou na basílica, ou na capelinha, se encontrem espaços de oração, espaços de silêncio, que são imprescindíveis para que o ser humano se encontre consigo mesmo”, afirma.

“Uma das grandes particularidades que tem o Santuário de Fátima é ser precisamente isto: um lugar ao qual acorre muita gente, inclusivamente turistas, mas que o próprio turista, ao encontrar-se com este ambiente, converte-se em peregrino. Este é o êxito deste santuário” reitera.

O bispo de Ourense fala, por outro lado, da atualidade da mensagem de Fátima e do seu contributo como chave de leitura para o momento atual.

“Se pudesse sintetizar numa palavra a mensagem de Fátima, neste momento de pandemia, seria ‘esperança’. Na verdade, toda a mensagem de Fátima se pode condensar nesta palavra, porque apesar de todas as interpretações que a mensagem pode ter tido ao longo da história, creio que, de todas as suas mensagens ou interpretações, se pode concluir que o coração de Maria abre o coração do ser humano, ao homem e a mulher dos nossos dias, à esperança”, refere.

“Por vezes a espiritualidade de Fátima foi instrumentalizada por alguns setores, e não lhe fez bem, porque a espiritualidade de Fátima se entronca precisamente na realidade do coração de Deus, que é a misericórdia. E no coração da Mãe Imaculada, que é a ternura de Deus. E, em algumas ocasiões, vimos como a mensagem de Fátima apareceu sempre de uma maneira obscura, pelo mistério do inferno e de todas essas realidades. Eu não vou negar essas realidades escatológicas, mas não é prioritária na mensagem de Fátima. O que é prioritário na mensagem de Fátima é a conversão e a esperança” sublinha D. José Leonardo Montanet.

“Não é uma mensagem de guerras, de catástrofes, de mortes misteriosas. A interpretação do famoso segredo da mensagem de Fátima é como um livro aberto à realidade da existência humana, de uma história que não termina, que vai caminhando em direção a um ponto ómega, alfa e ómega, de Jesus Cristo como princípio e fim da história da humanidade”, esclarece. 

“As lições do passado devemos aprendê-las, para que não se repitam no futuro. Mas,  Fátima não permanece anquilosada no ano de 1917. Como dizia  fala de um triunfo do amor misericordioso de Deus, através do coração imaculado de Maria. Este ‘sim’ de Deus à humanidade é uma porta aberta. O que não é uma porta aberta é a realidade da morte. A morte como instrumento legal. É todo o contrário”, afirma.

“Fátima encontra-se dentro deste grande projeto de Jesus Cristo, que se vai realizando, passo a passo na história da humanidade, como um projeto sempre do ‘sim’, do ‘mais’, de tal maneira que este ‘sim’ e este ‘mais’, conjugados com a graça de Deus e a liberdade humana, nos levam à plenitude, que aqui, em Fátima, se chama santidade; uma plenitude que se tornou realidade nos santos pastorinhos; muito cedo essa realidade; creio que essa realidade devemos fazê-la presente e que devíamos propô-la, e os média são importantes, às nossas crianças e aos nossos jovens”.

O bispo de Ourense lembra, a este propósito, o papel dos Santos Pastorinhos, Francisco e Jacinta Marto.

“Vós tendes aqui uma riqueza excecional, que é a santidade dos santos pastorinhos, duas crianças, que são um testemunho de vida que, neste momento, em que estamos a viver uma grande crise educativa na velha Europa, e em mais alguns países, como acontece no meu país, onde não encontramos os valores suficientes que façam ressurgir o mais humano que existe no coração do homem, o testemunho de vida e de santidade de estes dois pastorinhos pode ser como um ‘retábulo’ de virtudes humanas e cristãs que podem ser propostas às nossas crianças. Este é outro dos grandes êxitos deste santuário” refere.

“O carisma de Fátima, vivido por cada um dos dois, Francisco e Jacinta, é diverso. Como diferentes são as pessoas. Cada uma das pessoas é um mistério. E quando nos aproximamos destes santos pastorinhos, a cada um em particular, dá-se conta que tem características totalmente diferentes; estas características peculiares de cada um são altamente enriquecedoras, porque respondem a necessidades vitais, que nos nossos dias, temos nas nossas crianças e nos nossos jovens”.

“A sociedade contemporânea é muito consumista e muita individualista e, de algum modo, uma sociedade em que cada um procura a solução da sua própria existência, e onde Deus, no horizonte destas perspectivas, nada vale ou vale muito pouco, por esta razão, a atitude destas duas crianças pode ser muito interessante”, destaca.

“A atitude silenciosa, mas viva e operativa, de Francisco, é uma lição. E a atitude, não apenas contemplativa, mas ativa, nomeadamente na reparação, de ‘fazer em mim o que possa fazer de positivo, por toda esta gente que caminha, como diz a sagrada escritura, como ovelhas sem pastor’, como Jacinta. Creio que temos de apostar por aqui”.

“A chave da abertura do coração do ser humano somente se pode entender a partir desta grande ideia: ‘que nós sejamos como somos’. Acompanham-nos as circunstâncias da vida, que cada um tem as suas, e que podem ser complexas, muito difíceis, e em certos casos, dramáticas, como podemos encontrar em alguns dos peregrinos que se aproximam da capelinha, mas o que é certo é que, no meio desta situação, o importante é que nos convençamos que Deus nos quer como somos, e partindo desta realidade de ser como somos, o amor de Deus quer-nos transformar a partir de dentro”, conclui.

O Podcast #fatimanoseculoXXI pode ser ouvido em www.fatima.pt/podcast ou través das plataformas Spotify e Itunes.

 

 

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