02 de junho, 2021

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Os três Pastorinhos “convidam a tomar consciência que a vida da Igreja é transparecer a memória do transfigurado, é servir, e persistir nessa vocação”

Segunda visita temática à exposição temporária “Os Rostos de Fátima- fisionomias de uma paisagem espiritual”, foi orientada pela Ir. Ângela de Fátima Coelho

 

 

“Os rostos que veem: Francisco, Jacinta e Lúcia” foi o título da segunda visita temática à exposição temporária “Os Rostos de Fátima- fisionomias de uma paisagem espiritual”, esta noite. Este momento formativo foi orientado pela Irmã Ângela de Fátima Coelho, religiosa da Aliança de Santa Maria, diretora da Fundação Francisco e Jacinta Marto e vice-postuladora da Causa de Beatificação e Canonização da Serva de Deus Lúcia de Jesus.

Esta visita assentou nas peças 3,4,5,6 e 7 do Núcleo 1 da primeira parte da exposição.

A religiosa interpelou cada um dos presentes ao afirmar que “algo em nós vibra quando olhamos para o rosto de Francisco, Jacinta e Lúcia”.

Francisco Marto, “um rosto transfigurado, alguém que já não se entende sem Deus, um menino entusiasmado que seguia os raios de sol, contemplativo da beleza de Deus, onde a sua alma é habitada pela trindade, gostava de ver Jesus naquela Luz onde ele estava também”.

“Revestiu o seu rosto interior com as contas do rosário, e assemelha-se no final da vida ao rosto de Cristo: transfigura-se”, disse a Ir. Ângela Coelho, lembrando ainda que o pequeno vidente “tem um ar de zelo por Deus e pelas Suas coisas”.

Movido pelo desejo de consolar Jesus, “Francisco teve vida espiritual intensa, que resultou numa união mística com o Senhor”.

O menino “Sorria mais do que falava, mas sabia ter resposta adequada na hora certa”.

A religiosa explicou que parte de cada um “é tocada quando olha Francisco, toca cada parte de nós que tem medo de não sermos amados, que até aceita viver das aparências, fugindo da verdade”.

“Ali vivia um desassombrado apelo para sermos quem somos, sem máscaras, sem viver a matriz da imagem que os outros tenham de nós, Francisco puxa à nossa autenticidade, apesar de precisarmos de conversão”, considera, recordando o pequeno pastor como um “exemplo de amizade de Deus que dá vida a nossa vida”.

Jacinta “foi marcada por aquilo que viu no Imaculado Coração de Maria”, e o seu próprio coração “foi tocado pela compaixão, ao seguir como o Bom Pastor, estendendo a mão a todos os que espiritualmente se encontravam frágeis”.

A pequena vidente, teve uma vida “oferecida no sacrifício espiritual, levando até ao fim o compromisso de reparar, oferecendo-se pelos doentes, pelos pobres, pelos pecadores, e pelo Santo Padre.

A diretora da Fundação Francisco e Jacinta Marto evocou esta última como uma menina que “se deixava fascinar pela lua, que se deixava iluminar pelo Coração Imaculado de Maria, e que ilumina as noites da nossa vida”.

“Viveu a última parte da vida oferendo a solidão e sofrimento”, disse, recordando que a pequena pastora tinha uma um temperamento expansivo e alegre com os primos, mas ao mesmo tempo era tímida com os desconhecidos, ou mesmo nos interrogatórios.

“O seu olhar arrojado inquieta-nos, olha-nos de frente desafiando-nos a tomar consciência da seriedade da vida, pois é um olhar que nos chama para fora”, considera, explicando ainda que Jacinta “confronta-nos com a beleza de uma criança que ousa transportar na vida uma luz nas noites, esta pequena santa quer ser uma luz amiga, ainda que discreta”.

A Ir. Ângela afirmou tremer diante desta menina, “a sua entrega incomoda o nosso medo e indiferença, e interpela-nos pela pouca generosidade na entrega da nossa vida a Deus e aos irmãos”.

Jacinta “não tem medo nem se cansa e desperta em nós o desejo de nos oferecermos, pela luz de esperança e confiança”.

Em Lúcia, a religiosa recorda um rosto “determinado, decidido, que mais familiarmente conhecemos”.

“Ao longo da vida procurou compreender o que tinha visto”, e recordou os três rostos marcaram a mais velha dos três pastorinhos: a mãe Maria Rosa, o Coração Imaculado de Maria, e Teresa de Ávila.

Lúcia “vive com a missão de divulgar a devoção ao Imaculado Coração de Maria, superando as dificuldades e obstáculos, avançando na vida como Jesus Cristo, fazendo a vontade do Pai”.

“Vejo as marcas que o tempo imprimiu na face de Lúcia, uma fidelidade de uma vida inteira, e que privilegio é ter rugas, pois é ter um rosto que traz realidade, quando vivemos num realismo que não leva a nada”, afirmou a Ir. Ângela Coelho.

O dom por ser dom “pode ser dado a qualquer um, e as suas feições austeras, que em nada se caracterizam com a perfeição dos filmes, diz que todos servimos para o reino de Deus, mesmo com rugas”

A vice-postuladora da Causa de Beatificação e Canonização da Serva de Deus Lúcia de Jesus, chamou atenção para os óculos que caracterizam a imagem da mais velha dos três videntes, lembrando que “precisou de ajuda para ver, sendo uma metáfora da vida, de uma vida que não se faz sozinha, que precisa de mediações, e ver de forma cada vez mais nítida adicionou profundidade à sua missão”.

Este rosto “fala de solidão, é carmelita, é também companhia, toca o desejo de não caminhar sozinha, o Coração de Maria caminha connosco, chamando para a nossa autossuficiência, onde todos precisamos de óculos para ver”.

Lúcia, foi “testemunha fiel da promessa, e lança o desafio da fidelidade de Deus, até ao fim”

Os três Pastorinhos “convidam a tomar consciência que a vida da Igreja é transparecer a memória do transfigurado, é servir, e persistir nessa vocação”.

A coroa preciosa de Nossa Senhora de Fátima, nos 75 anos da coroação, foi o tema da primeira visita temática à exposição “Rostos de Fátima: fisionomias de uma paisagem espiritual”. Esta iniciativa teve lugar no dia 5 de maio, e foi orientada por Marco Daniel Duarte, comissário da exposição e Diretor do Museu do Santuário de Fátima.

Estão previstas mais quatro visitas temáticas, agendadas para 7 de julho, com o tema Os rostos que caminham: os peregrinos de Fátima, orientada por Bernardo Mendonça e Tiago Miranda, Jornalista e Repórter de Imagem; a 4 de agosto com o tema Os rostos que difundem a Mensagem, por Sónia Vazão, Investigadora do Departamento de Estudos do Santuário de Fátima; a 1 de setembro, com o tema Os rostos que se opõem a Fátima, por André Melícias, Arquivista do Departamento de Estudos do Santuário de Fátima; e a 6 de outubro, com o tema As celebrações de Fátima: rosto visível da comunidade orante, pelo padre Carlos Cabecinhas, Reitor do Santuário de Fátima. 

“Rostos de Fátima: fisionomias de uma paisagem espiritual”, até ao dia 1 de junho, foi visitada por 11859 pessoas.

Esta exposição está patente ao público desde 28 de novembro de 2020 e assim permanecerá até 15 de outubro de 2022. Aberta diariamente entre as 9h00 e as 13h00 e, de tarde, entre as 14h00 e as 18h00, conta a história de Fátima nos vários rostos que a fizeram e cuja identidade conduzirá à esperança, nesta época de insegurança, em que a necessidade do uso de máscaras tapa os rostos humanos. Através do relato das ações concretas dos protagonistas de Fátima, vai ser dado a conhecer o trabalho e o compromisso que eles assumiram na divulgação da Mensagem que a Virgem de Fátima legou aos Pastorinhos.

Ao apresentar o Santuário como lugar de peregrinação, a mostra vai, deste modo, percorrer os rostos que construíram Fátima do ponto de vista da fé, do património e da cultura, sem deixar de olhar pluralmente para os que, durante anos, se insurgiram como críticos e opositores a Fátima. 

A narrativa da exposição está dividida em duas partes. Numa primeira, que percorre o primeiro século de Fátima, dão-se a conhecer os rostos relevantes da história da Cova da Iria, a começar pelos três Videntes. Na segunda, a exposição propõe um percurso orante e centrado na fé, desafiando o visitante a interpelar-se sobre a sua condição humana, numa espécie de jogo de espelhos que confronta a realidade concreta que vivemos com o desejo relacional com a transcendência.

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